PRINCESA MONONOKE DE HAYAO MIYAZAKI E A TEMÁTICA AMBIENTAL: REFLEXÕES SOBRE EXTRATIVISMO, ANTROPOCENO E ALTERNATIVAS DE FUTUROS por Maurício Luiz Borges Ramos Dias


 Introdução

Lançado em 1997, com o título em idioma original もののけ (Mononoke Hime, em romanji), o filme Princesa Mononoke é uma das obras primas do prestigiado diretor de animação japonês Hayao Miyazaki, do Studio Ghibli. Com enredo retratado ao longo da Era Muromachi (1392-1573) do Japão Medieval, Miyazaki (1997a) demonstra como a relação entre seres humanos e Natureza mudou drasticamente em um período histórico nipônico marcado pela alta produção de ferro, autorização da derrubada de árvores e pelo sentimento humano de que seria possível controlar a Natureza. Com a quebra da fronteira dos seres humanos com a Natureza e o sagrado, o filme reflete sobre a essência da civilização, caracterizada pelo desejo de enriquecimento sem limites e pela normalização do ato de retirar as vidas de outras criaturas, questionando como perdemos a capacidade de coexistir com a Natureza mediante tamanha ganância (Miyazaki, 1997b).

Sendo assim, imersa em profunda complexidade, a animação Princesa Mononoke apresenta a relação e a quebra de harmonia entre humanos, Natureza e espíritos, trazendo à tona a brutalidade do chamado “progresso” e das nossas interações, como espécie, com o mundo (sobre)natural (Morgan, 2015; Napier, 2001). Para Hayao Miyazaki (1997a), o filme representou um ponto no qual o diretor não era mais capaz de construir uma obra sem abordar o problema da humanidade como integrante de um ecossistema. E como excelentemente pontuado por Susan Napier (2022), a obra nos faz formular perguntas como: Diante do que a humanidade já fez com o planeta, temos o direito de continuar conflitando com a Natureza e com o outro não humano? Podemos coexistir de alguma maneira? E, ainda, podemos existir de forma ética em um mundo amaldiçoado como resultado das ações passadas e contemporâneas da humanidade?

Essas reflexões são iniciadas nos arredores da Vila Emishi, em que ocorre o encontro do príncipe Ashitaka com um tatari gami (タタリ神 - Deus amaldiçoado) movido pelo ódio que se incorporou no corpo do Deus Javali, Nago. Na batalha que se sucedeu, Ashitaka acaba sendo amaldiçoado ao ter seu braço direito tocado pelo tatari gami, cujas últimas palavras foram uma ameaça de que os humanos sentirão o ódio e as suas dores sofridas. Precisando sair de seu lar para buscar uma cura para a maldição que o consumirá, Ashitaka, junto ao seu fiel companheiro Yakkuru, uma figura similar a um alce vermelho, inicia sua jornada rumo a oeste. Suas únicas pistas são uma bola de ferro que estava no corpo do furioso tatari gami enfrentado e, depois de dialogar com o personagem Jiko Bō, uma orientação de que a resposta poderia estar na Floresta do Shishigami, um Deus que concede a vida, assim como a toma, estando representado de dia por um cervo e à noite por um Andarilho Noturno gigante.

Nessa aventura, intermediando entre os espaços considerados dos humanos, como as vilas, e dos deuses e espíritos, tal qual a floresta, Ashitaka se depara com diferentes personagens, circunstâncias e tensões que representam um Japão medieval em transformação. Como núcleo principal de disputa, tem-se o conflito entre Lady Eboshi, governante da Cidade de Ferro que considera a dominação da Floresta do Shishigami como fonte de riqueza e poder; enquanto San, humana criada pela Deusa Lobo, Moro, acompanhada de sua pequena família lobo, busca frear os avanços de destruição de Lady Eboshi.

Com o passar das cenas, percebe-se o tensionamento e a inexistência de uma dicotomia pura entre o “bem” e o “mal” nos interesses das personagens, além de outras camadas de disputa por poder pelos humanos e de desequilíbrios nas interações entre os espíritos e seres vivendo na floresta. Uma das nuances principais se torna, justamente, como a ganância humana causa sofrimento para nós mesmos e ao ambiente que nos rodeia, junto a todas as suas conexões ecossistêmicas que o envolve.

Os conteúdos da obra-prima Princesa Mononoke podem ser analisados por uma miríade de lentes, tais como pelo xintoísmo e folclore japonês (Ejaz, 2025), por questões de gênero (Lima, 2019), pelos direitos dos animais, cujo ótimo ponto de partida poderia ser pelas reflexões éticas de Martha Nussbaum (2022), e até mesmo pela aplicação do filme na educação ambiental e contribuições para o ensino (Soarez; Valeriano; Arruda, 2022; Morais; Neto; Moraes, 2019). Em uma ótica ambiental, a minha proposta é discutir, a partir de suas cenas e personagens, como o filme nos permite refletir sobre modelos econômicos e alternativas de futuros considerando os impactos na Natureza causados pela ação humana. Para tanto, as seguintes interações farão parte da estrutura dessa contribuição: 1) Lady Eboshi e o extrativismo; 2) Lady Eboshi, Jiko Bō e o Antropoceno; 3) San, Ashitaka e a construção de futuros possíveis, como conclusão desta breve contribuição.  

Lady Eboshi e o Extrativismo

Na visão de Lady Eboshi, a Floresta do Shishigami é apenas uma fonte de extração de recursos naturais que promoverão a segurança e o poder, tanto militar quanto econômico, da Cidade de Ferro, protegida por um lago e muralhas que a circundam. Como resultado de suas investidas contra a floresta e os sujeitos que ali vivem, Lady Eboshi cria uma tensão com os seres que tentam combater os humanos em prol do meio ambiente em que habitam, além de ser responsável por representar na obra a percepção de que a Natureza existe apenas para servir aos interesses humanos e que o fim da floresta e dos seus espíritos resultaria em uma terra repleta de riquezas. A relação de destruição da Natureza para os objetivos humanos se torna nítida quando a partir de um recurso mineral, o ferro, Lady Eboshi e os habitantes da Cidade de Ferro constroem armas de fogo utilizadas, justamente, para a eliminação da floresta. Lady Eboshi, inclusive, é a responsável pelo surgimento de Nago, o Deus Javali, amaldiçoado pelo tatari gami, após ter sido consumido pelo ódio ao ser atingido por uma bala de ferro.   

Ao considerar e adaptar a definição de Alberto Acosta (2016) para uma análise sobre Princesa Mononoke, apresento aqui extrativismo como a prática de atividades que removem enormes quantidades de recursos naturais, não ou parcialmente processados, que poderão ser utilizados para desenvolvimento de tecnologias, assim como aprofundarão acúmulo e centralização de renda e poder acompanhados de profundos impactos ambientais e sociais. No filme, é evidente que o poder de Lady Eboshi provém de suas estratégias de exploração da Natureza e produção de armas a partir dela. No entanto, é interessante frisar como o ataque à Cidade de Ferro pelos samurais do Lorde Asano nos convida a refletir que essa ação pode ter sido motivada para diminuir a autoridade de Lady Eboshi angariada graças ao extrativismo e, embora não demonstrado explicitamente na obra mas explicado por Hayao Miyazaki (1997b), foi uma tentativa de frear os impactos ambientais que estavam sendo gerados pela extração de ferro e afetando as vilas no entorno.

Entretanto, nos impedindo de avaliar a personagem simplesmente como “má” ou, então, uma “vilã”, Hayao Miyazaki apresenta também um outro lado de Lady Eboshi, que é responsável por acolher e dar trabalho a mulheres que seriam compradas por bordéis e a enfermos leprosos, antes completamente excluídos, que passaram a ser tratados como humanos. Esses habitantes são gratos à Lady Eboshi e, assim como os homens da cidade, atuam em consonância à estratégia de exploração da Natureza. A lealdade de todos os habitantes é tão grande e sincera que, quando a Cidade de Ferro é atacada na investida de Lorde Asano, eles a defendem, também, em nome de sua líder.

A partir de Horacio Aráoz (2016), compreende-se que o extrativismo atua na apropriação e disposição dos recursos naturais e humanos, de forma a, por meio da capitalização da Natureza, normalizar a depredação e expropriação das fontes e meios de vida em nome da produção de “riqueza” via essa atividade. Esse olhar nos ajuda a interpretar a racionalidade extrativista encarnada em Lady Eboshi e nos habitantes da Cidade de Ferro, na qual, a dominação da Natureza, longe de ser problematizada, é percebida como condição necessária para a promoção da sobrevivência, da segurança e da inclusão social de pessoas que antes eram marginalizadas na sociedade.

 

Lady Eboshi, Jiko Bō e o Antropoceno

Ao longo do desenvolvimento da trama, Jiko Bō, que inicialmente parecia um monge ou até mesmo um viajante, se revela como o líder de um grupo de caçadores, autorizado pelo imperador japonês a decapitar o Shishigami em troca de uma grande recompensa. Nesse processo, Jiko Bō e seus caçadores se mostrarão como aliados de Lady Eboshi e dos habitantes da Cidade de Ferro, com o objetivo de manipular essa líder de forma que ela seja a responsável por matar o Shishigami.

Após intensa batalha dos humanos com os javalis que desejavam vingar Nago, o seu novo líder, Okkoto, estava gravemente ferido e foi sendo direcionado por San rumo ao lago da floresta em que o Shishigami consegue promover a cura. No entanto, Okkoto e San são seguidos por Jiko Bō, Lady Eboshi e demais humanos. Ao longo de uma série de batalhas entre diversas personagens, quando o Shishigami estava alterando sua forma de Deus Cervo para a de Andarilho Noturno conforme a lua surgia, Lady Eboshi, consciente das intenções de tentativa de manipulação de Jiko Bō, atira em direção a essa divindade, decapitando-a. Logo em seguida, rapidamente, Jiko Bō e seus capangas encerram a cabeça do Shishigami em uma caixa com trava, representando o Deus da Floresta como algo passível de apropriação e troca. 

Como resultado dessa brutalidade orquestrada pela ganância humana de Jiko Bō e de Lady Eboshi, o gigante Andarilho Noturno, desenfreadamente buscando por sua cabeça, manifesta a sua fúria avançando sob a floresta e a Cidade de Ferro, de forma que tudo o que ele tocava morria, incluindo a flora, a fauna, os humanos e os próprios espíritos. Quando Ashitaka e San tentam parar Jiko Bō e forçá-lo a devolver a cabeça, negando-se ele diz algo muito representativo para nossa discussão: “a sede de possuir o céu e a terra é o que nos faz humanos”.

Embora a obra seja centrada na temporalidade da Era Muromachi, ela dialoga com dilemas contemporâneos da humanidade, tal qual o Antropoceno, em que as atividades humanas, desde a segunda metade do século XVIII com a Revolução Industrial, se tornaram forças geológicas significativas ao ponto de promoverem mudanças ambientais profundas no planeta Terra (Crutzen; Stoermer, 2000). Para Steffen et al. (2011), à medida que a humanidade se aprofunda no Antropoceno, intensifica-se uma trajetória de transformações ambientais imensamente hostis às diferentes formas de vida, marcada tanto pela aproximação quanto pela ultrapassagem dos limites planetários, cuja transgressão compromete a estabilidade ambiental e a biodiversidade.

De acordo com Morgan (2015), a cena representando a destruição promovida pelo Andarilho Noturno ilustra como os humanos estão intimamente ligados com a Natureza e como nossas ações podem promover uma cadeia de reações ambientais no sentido apocalíptico. É interessante notar como o ponto de partida para tamanha destruição foi a única bala atirada contra Nago por Lady Eboshi, demonstrando a profunda conexão em escala de nossas ações com a Natureza, mesmo quando não conseguimos perceber e nem compreender os seus impactos. Ainda, nessa cena, podemos refletir sobre os desastres naturais que já estão sendo encadeados por conta da ação humana no Antropoceno e sobre os perigos de alcançarmos os “pontos de não retorno” em diferentes ecossistemas, como a própria floresta Amazônica, por exemplo, cuja principal causa de desmatamento é por conta de pastagens utilizadas para a monocultura e agropecuária (MapBiomas, 2024).

As investidas contra o Shishigami causaram diversas fatalidades humanas e não humanas, bem como a morte dos Deuses e espíritos que viviam na floresta. De um lado, podemos analisar esse acontecimento como a separação entre humanos e a consideração da Natureza como um espaço sagrado a ser respeitado. De outro, exemplificando as dinâmicas de funcionamento do capital no Antropoceno, podemos configurar as ações de Lady Eboshi e Jiko Bō, conscientes da destruição que poderia ser ocasionada pela missão de decapitar o Shishigami, com as chamadas zonas de sacrifício que, conforme Kohei Saito (2024), são regiões cujos desastres ambientais ocasionados à população por conta da exploração da natureza são invisibilizados e, inclusive, pouco importam para quem lucra e constrói seu modo de vida através dessa dominação.

Para Lady Eboshi, o fim da floresta e a morte de todos que lá vivem não importava, da mesma forma que para Jiko Bō, em sua gana em conquistar desde a terra ao céu, a profunda destruição causada, inclusive na Cidade de Ferro, não era motivo o suficiente para mudar seus planos. Como Cynthia Zhang (2024, p. 60, tradução nossa) argumenta em sua percepção sobre Princesa Mononoke e Antropoceno, “na busca pelo domínio da Natureza, os humanos se tornaram uma força em pé de igualdade com as forças naturais, mas ao custo de colocar em risco toda a vida no planeta”, ao passo que esse mesmo domínio, apesar de conferir prosperidade a curto prazo, eventualmente, leva à destruição do mundo natural e do que foi criado pela nossa espécie.

San, Ashitaka e alternativas de futuros

Dentre os personagens humanos, temos também San, à qual o título Princesa Mononoke se refere, e Ashitaka, cada qual com uma forma de agir diferente, mas com o mesmo objetivo de proteger a Floresta do Shishigami. Criada pela Deusa Lobo e vivenciando na pele os impactos dos avanços de Lady Eboshi sob a floresta, San tem uma forte conexão física e espiritual com o ambiente sagrado e os seres fantásticos que a cercam. Para ela, lutar fisicamente para os humanos saírem da floresta e o equilíbrio ser restaurado é uma alternativa que vale o sacrifício de sua própria vida, percebendo-se como um ser imerso em algo muito maior do que a sua própria existência.

Já Ashitaka apresenta uma postura de mediador entre os mundos que ele vai presenciando ao longo da obra, tais como a Cidade de Ferro e a Floresta do Shishigami. Para o príncipe, as suas decisões devem ser feitas ao “enxergar com os olhos desanuviados pelo ódio”, sendo importante compreender as motivações de Lady Eboshi e San antes de tomar qualquer frente baseado simplesmente em uma visão dicotômica entre o certo e o errado. Após sua ponderação, Ashitaka, de sua maneira, se mobiliza e tenta contribuir para a preservação da floresta, sem perder sua essência mediadora com momentos, por exemplo, de questionar firmemente Lady Eboshi se a floresta e os humanos não podem viver em paz e ressaltando que o Shishigami não é o inimigo da líder da Cidade de Ferro.     

Ao final, em uma paisagem caracterizada por colinas verdes e flores, como criação final do Shishigami após conseguir sua cabeça em sua forma de Andarilho Noturno, San afirma que nunca poderá perdoar os humanos pelo o que eles fizeram e continuará vivendo no que restou da floresta. Ashitaka, por outro lado, decide que viverá na Cidade de Ferro, local onde San sempre será bem-vinda, e visitará a personagem na floresta. A partir dessa cena, podemos refletir sobre como San e Ashitaka escolhem permanecer em seus mundos, uma completamente na Natureza e o outro na cidade, mantendo, mesmo assim, um vínculo de respeito e cuidado mútuo.

Essa passagem nos convida a refletir se não seria possível construirmos alternativas de futuros que considerem a dependência humana com a Natureza e a necessidade de uma relação harmoniosa. Creio que temos algumas pistas sobre caminhos a trilhar para evitarmos a imensa destruição via Antropoceno. Uma delas se chama decrescimento, que ao identificar como um problema fundamental a constante necessidade de crescimento do capitalismo, almeja construir formas de produção e de vida social ecologicamente sustentáveis, justas e solidárias, reduzindo o fardo material imposto ao meio ambiente (Acosta; Brand, 2018). Seria um slogan como “melhor com menos”, tanto na esfera individual quanto nos âmbitos econômicos e políticos do governo, sem deixar de garantir uma vida adequada para todos. Kohei Saito (2024) vislumbra o decrescimento como uma poderosa opção que envolve uma nova racionalidade que barre os excessos do capitalismo e coloque, em primeiro lugar, a Natureza e os seres humanos juntos.

Poderíamos fortalecer e germinar caminhos para o Bem Viver, apresentado como uma concepção que “nos desafia a repensar nossas maneiras de nos relacionar entre seres humanos e com a Natureza, de forma a favorecer uma vida que flua para todos e para todas, não somente para os seres humanos, mas também para outras formas de vida” (Ibáñez, 2016, p. 321), permeando noções de igualdade, equidade e harmonia entre os diferentes, bem como considerando os saberes ancestrais dos povos originários.

Ademais, é possível debater, como um horizonte de transição e transformação, o pós-extrativismo, caracterizado pela compreensão de que os modelos e práticas do chamado “desenvolvimento”, tais como domínio, destruição e apropriação da Natureza e os problemas socioeconômicos, ambientais e políticos gerados pela exploração dos recursos naturais, devem ser superados em direção ao compromisso de garantir a eliminação da pobreza e a não extinção de qualquer espécie de fauna e flora (Acosta; Brand, 2018; Gudynas, 2016). No pós-extrativismo, seria retirado da Natureza somente o que fosse essencialmente necessário para a qualidade de vida da população, sem ultrapassar os limites ambientais.

A obra prima de Hayao Miyazaki, Princesa Mononoke, não somente apresenta que a desarmonia entre seres humanos e Natureza gera uma devastação profunda, mas também, demonstra que caminhos de equilíbrio, como a cena final entre San e Ashitaka, são possíveis. Em um sistema marcado pelo Antropoceno, desanuviados por um fatalismo que nos impeça de sonhar e lutar (Krenak, 2019), assim como orientados por uma relação harmônica com a Natureza, incluindo a flora e os animais, devemos nos mobilizar coletivamente, com esperança no sentido do verbo esperançar proposto por Paulo Freire (1992), para pautar e construir alternativas de futuros possíveis (Fernandes, 2020). Vamos juntos?

Referências bibliográficas

 

Maurício Luiz Borges Ramos Dias é doutorando e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP-UNICAMP-PUC/SP). É bacharel em Relações Internacional pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Suas pesquisas versam principalmente sobre “mulheres de conforto”, memória, emoções e relações bilaterais entre Coreia do Sul e Japão. E-mail de contato: mauriciolbrdias@gmail.com.

 

ACOSTA, Alberto. Extrativismo e neoextrativismo: Duas faces da mesma maldição. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (Orgs.). Descolonizar o Imaginário: Debates sobre Pós-extrativismo e Alternativas ao Desenvolvimento. São Paulo: Elefante, 2016, p. 46-84. 

 

ACOSTA, Alberto; BRAND, Ulrich. Pós-extrativismo e Decrescimento: Saídas do Labirinto Capitalista. São Paulo: Elefante, 2018.

 

ARÁOZ, Horacio Machado. O debate sobre “extrativismo” em tempos de ressaca: A Natureza americana e a ordem colonial. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (Orgs.). Descolonizar o Imaginário: Debates sobre Pós-extrativismo e Alternativas ao Desenvolvimento. São Paulo: Elefante, 2016, p. 444-484. 

 

CRUTZEN, Paul J.; STOERMER, Eugene F. The "Anthropocene". IGBP Newsletter, n. 41, p. 17-18, 2000.

 

EJAZ, Xinnia. The World of Yōkai: Gods and Demons in Hayao Miyazaki's Princess Mononoke. IAFOR Journal of Literature & Librarianship, v. 14, n. 1, p. 43-54, 2025.

 

FERNANDES, Sabrina. Se quiser mudar o mundo: um guia político para quem se importa. São Paulo: Planeta, 2020.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

 

GUDYNAS, Eduardo. Transições ao pós-extrativismo: sentidos, opções e âmbitos. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (Orgs.). Descolonizar o Imaginário: Debates sobre Pós-extrativismo e Alternativas ao Desenvolvimento. São Paulo: Elefante, 2016, p. 174-212.

 

IBÁÑEZ, Mario Rodríguez. Ressignificando a cidade colonial e extrativista: Bem Viver a partir de contextos urbanos. In: DILGER, Gerhard; LANG, Miriam; FILHO, Jorge Pereira (Orgs.). Descolonizar o Imaginário: Debates sobre Pós-extrativismo e Alternativas ao Desenvolvimento. São Paulo: Elefante, 2016, p. 297-333.

 

KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

 

LIMA, Mônika Martins de. A Representação Feminina nas Obras de Miyazaki: Estudo de Caso do Filme Princesa Mononoke. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Sistemas e Mídias Digitais, Universidade Federal do Ceará, Instituto UFC Virtual, Fortaleza, 2019.

 

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NAPIER, Susan. Hayao Miyazaki's Cursed Worlds. The Paris Review, 22 out. 2018. Disponível em: www.theparisreview.org/blog/2018/10/22/hayao-miyazakis-cursed-worlds/. Acesso em: 21 jun. 2026.

 

NUSSBAUM, Martha C. Justice for Animals: Our Collective Responsibility. Nova York: Simon & Schuster Paperbacks, 2022.

 

SAITO, Kohei. O Capital no Antropoceno. São Paulo: Boitempo, 2024.

 

SOARES, Ana Paula da Silva; VALERIANO, Jessica do Prado; ARRUDA, Tate Aquino de. "Princesa Mononoke" (1997): Análise do Filme e Aplicação na Educação Ambiental. Linhas Críticas, v. 28, e43974, 2022.

 

STEFFEN, Will et al. The Anthropocene: From Global Change to Planetary Stewardship. Ambio, v. 40, n. 7, p. 739-761, 2011.

 

ZHANG, Cynthia. “To See with Eyes Unclouded”: Nonhuman Selves and Semiosis in Princess Mononoke. Ecozon@, v. 15, n. 1, p. 55-72, 2024.

7 comentários:

  1. Taynara Martins Batista6 de julho de 2026 às 18:03

    Excelente texto, temática muito interessante e relevante para os tempos atuais. Apenas uma pergunta. Você pensou em relacionar o filme com o folclore japonês?

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    1. Maurício Luiz Borges Ramos Dias10 de julho de 2026 às 04:45

      Olá, Taynara!! Espero que esteja bem :) Muitíssimo obrigado pela leitura, pelo apoio e pelo comentário!! Fico feliz que tenha gostado do texto, ainda mais sabendo sobre como você contribui para pesquisas sobre meio ambiente.

      Ao longo da obra Princesa Mononoke, achei muito interessante como os animais de nosso dia a dia são representados como Deuses, assim como criaturas únicas, tais quais as kodoma's, que são aqueles seres humanoides de cor branca que aparecem apenas quando a floresta está saudável, também recebem essa representação.

      Eu percebo o folclore japonês como intensamente permeado pelo xintoísmo, que atesta um teor de divindade às diferentes camadas da Natureza, tais como árvores antigas, montanhas e rios, por exemplo. E dentro do folclore japonês, tem-se os chamados yōkai's, que são como monstros, espíritos, Deuses, demônios ou seres não humanos metamorfos em interação com o mundo dos humanos. Ao refletir sobre a conexão entre o folclore e o filme, creio que seria possível fazer uma argumentação bem interessante considerando a Natureza sagrada, os yōkai's (representados, por exemplo, por seres como Deusa Lobo, Deus Javali...) e o "progresso" desenvolvimentista humano.

      No entanto, por não conhecer tão profundamente as camadas do folclore japonês, eu acabaria deixando de lado diversos detalhes e nuances interessantes. Por isso, escolhi caminhar para uma abordagem mais sobre modelos de desenvolvimento e alternativas de futuros em interação com a Natureza.

      O trabalho de Xinnia Ejaz (2025), disponível nas referências, é bem interessante e analisa o filme justamente na perspectiva do folclore japonês, identificando como os yōkai's representam essa tensão e mediação ecológica com a industrialização japonesa. É uma leitura bem interessante :)

      Novamente, muito obrigado pelo comentário e apoio!!

      Cordialmente,
      Maurício Luiz Borges Ramos Dias.

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  2. Ana Carolina Romão Gonçalves dos Santos8 de julho de 2026 às 22:48

    Olá Maurício!
    Parabéns pelo texto!

    Seu texto está muito bem estruturado e realmente dá para observar a complexidade de "Princesa Mononoke" e as potencialidades que essa obra pode trazer para debater as possibilidades de futuros mais voltados à reconstrução de uma relação proximal e não evasiva com a natureza. Principalmente, analisando sob a ótica que no decorrer da obra mostra diversas "conturbações sociais" de um mundo fictício, que se entrelaçam com o mundo real. Minha pergunta se estende a perspectiva do Japão Contemporâneo, considerando que o Japão atual é um dos países que mais consome combustíveis fósseis, porém ao mesmo tempo é um dos países que mais desenvolve políticas ambientais robustas e tecnologias sustentáveis (especialmente às de substituição dos combustíveis), seria possível assinalar que este país já se encaminha para um modelo de pós-extrativismo?

    Desde já, agradeço!

    Atenciosamente,
    Ana Carolina Romão Gonçalves dos Santos

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    1. Maurício Luiz Borges Ramos Dias10 de julho de 2026 às 05:19

      Olá, Ana Carolina!! Desejo que esteja bem! Muitíssimo obrigado pelo seu comentário e pergunta tão interessantes para refletirmos sobre o Japão!

      O pós-extrativismo é uma proposta de modelo econômico em que seria retirada da Natureza somente o necessário para manter a qualidade de vida da população. O seu desenvolvimento é algo bem complexo que envolve uma transformação social, econômica e política de como nos relacionamos com a Natureza, sendo seus avanços como "um passo de cada vez" rumo a um horizonte de um projeto amplo em construção.

      No Equador, por exemplo, entre 2008 e 2013, houve a Iniciativa Yasuní-ITT, cuja proposta consistia em não explorar as reservas de petróleo localizadas no Parque Nacional Yasuní, desde que a comunidade internacional compensasse financeiramente o país. Esse é um dos projetos emblemático de maior proximidade com o pós-extrativismo, justamente por buscar formas de coexistência com a Natureza e de redução da dependência intensa de exploração dos recursos naturais. Foi uma política deveras interessante, porém, imersa nas dinâmicas do capitalismo, não foi para frente, pois o Equador não angariou doações internacionais e decidiu que era necessário para sua economia explorar a região.

      Trago essa exemplificação para demonstrar que a proposta de uma política pós-extrativista é diferente do fomento de alternativas sustentáveis que o Japão vem fazendo. O filósofo japonês Kohei Saito (2024), disponível nas referências, inclusive, analisa o Japão com um olhar bem crítico, enxergando-o como um grande contribuidor para a destruição ambiental e para a manutenção da lógica capitalista de exploração da Natureza. Para o filósofo, até mesmo medidas sustentáveis, podem acabar servindo para a lógica capitalista de "como estou criando menos dano, posso continuar explorando a Natureza", o que, no fundo, seria algo como "enxugar o gelo".

      Se nos voltarmos às dinâmicas da COP 30, por exemplo, o Japão foi escolhido para receber o irônico prêmio "Fóssil do Dia" (Fossil of the Day), pela rede de ONGs Climate Action Network, justamente por ser considerado um ator que financia continuamente os combustíveis fósseis e gera entraves em discussões sobre transições energéticas justas.

      Sendo assim, em pesquisas futuras, creio que seria muitíssimo interessante analisarmos como a política ambiental e econômica japonesa percebem a Natureza, bem como verificar se na sociedade civil podemos encontrar propostas interessantes e, quem sabe, próximas do pós-extrativismo :)

      Muitíssimo obrigado pela pergunta e reflexão gerada!

      Cordialmente,
      Maurício Luiz Borges Ramos Dias.

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  3. Prezado, Maurício! Primeiramente, gostaria de lhe parabenizar pela temática abordada. Em segundo lugar, logo no inicio do seu texto, você comenta sobre como uma das possibilidades de analise do filme poderia ser feita partir de uma leitura do xintoísmo na animação. Apesar dessa não ter sido sua escolha de análise, gostaria de saber se, na sua percepção, há uma relação da importância da Natureza nas produções do Studio Ghibli (e em outras produções contemporâneas que abordam o "desenvolvimento") com uma versão xintoísta impactada pelo trauma da destruição causada pelas ações humanas no primeira metade do século XX (vide as bombas atômicas)?
    Grata pela atenção,
    Larissa Gabrieli Fonseca

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    1. Maurício Luiz Borges Ramos Dias10 de julho de 2026 às 05:38

      Olá, Larissa!! Espero que esteja bem :) Fico muito feliz por ter gostado do tema e pela sua pergunta!!

      Minha resposta será mais limitada, pois não conheço outras obras japonesas para além de Princesa Mononoke que deixem tão evidente essa interação entre xintoísmo, Natureza e destruição causada pelas ações humanas. De fato, das obras que conheço, Princesa Mononoke se destaca em fazer muitíssimo bem esse movimento.

      Do Studio Ghibli, filmes que demonstram essa relação é A Viagem de Chihiro, em uma cena específica em que o espírito do rio está poluído cheio de lixos provenientes da industrialização, e, de forma mais evidente, mas, talvez, sem a questão xintoísta (tenho que rever o filme rsrs), Nausicaä do Vale do Vento, que se passa em uma sociedade pós-nuclear permeada pelo desequilíbrio entre a Natureza e a humanidade.

      Em relação à destruição causada pelas ações humanas na primeira metade do século XX, sem um olhar ambiental e sem influências xintoístas, Miyazaki promove reflexões críticas sobre como o militarismo impacta negativamente a humanidade. Destaco o filme O Túmulo dos Vagalumes, que mostra a vida de dois irmão no final da Segunda Guerra Mundial no Japão (é um filme tristíssimo! Caso não tenha assistido, recomendo ler a sinopse antes e se preparar para um filme pesado), assim como a obra Porco Rosso, cujo personagem principal era um piloto de caça italiano na Primeira Guerra Mundial.

      Muitíssimo obrigado pelo comentário e reflexões geradas!!

      Cordialmente,
      Maurício Luiz Borges Ramos Dias.

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