ENTRE O IDOL E A FAMÍLIA: RELAÇÕES PARASSOCIAIS E O IMAGINÁRIO AFETIVO RETRATADOS NA FICÇÃO SUL-COREANA CONTEMPORÂNEA por Cheron Gonçalves de Pinho


 Relações parassociais e a Coreia contemporânea 

Nas últimas décadas, a Coreia do Sul tem experimentado profundas transformações sociais relacionadas às relações afetivas, o casamento e à família. O rápido desenvolvimento econômico e a modernização trouxeram consigo uma série de desafios sociais, incluindo o aumento do número de pessoas que preferem realizar atividades diárias sozinhas (fenômeno chamado em coreano de 혼족 (honjok), que significa "tribo de um"), o adiamento ou abandono do casamento e da procriação, e uma crescente sensação de isolamento entre jovens adultos. Esses fenômenos têm sido amplamente discutidos por pesquisadores e pela mídia. Paralelamente a essas mudanças demográficas e sociais, observa-se a expansão de formas de vínculo emocional mediadas pela cultura pop, especialmente através dos fandoms e das chamadas relações parassociais. Essas relações, estabelecidas com celebridades, idols e personagens fictícios, permitem que os indivíduos desenvolvam laços emocionais unilaterais, mas significativos, que podem influenciar seu bem-estar psicológico e sua percepção de pertencimento. Mas ao mesmo tempo podem gerar efeitos negativos.  A cultura Hallyu (a famosa “onda coreana”) impulsionou a ascensão global dos idols de K-pop, tornando-os figuras centrais no imaginário afetivo de milhões de fãs, tanto na Coreia quanto internacionalmente.

 

Relação parassocial no conto 최애의 아이: o idol como família 

O presente trabalho analisa o conto 최애의 아이, da escritora sul-coreana Lee Hee-joo, a partir das discussões sobre relações parassociais e transformações sociais na Coreia contemporânea. A autora aborda essa temática por meio da narrativa da protagonista Umi, que desenvolve um intenso envolvimento emocional com um idol, unilateral, típico de paixão platônica, deslocando para essa figura do idol desejos que, em outros contextos históricos, poderiam estar associados à constituição de vínculos amorosos concretos, casamento ou formação familiar. A narrativa inicia mostrando que o desejo de Umi pelo cantor não desaparece com o tempo: ele permanece cada vez mais intenso até se transformar em uma nova forma de expressão quando Umi tenta realizar o desejo de ter um filho do idol. 

 

O próprio título do conto, 최애의 아이, algo como “a criança do favorito” em português, merece atenção. O termo 최애 (choeae)  é uma expressão amplamente utilizada na cultura de fãs sul-coreana para designar a celebridade, personagem ou figura pública que ocupa o lugar de maior afeição e admiração na vida de alguém. Em inglês podemos traduzir como bias, termo que fãs internacionais de k-pop utilizam para designar o membro favorito.

Ao invés de compreender a relação de fã como uma causa direta do afastamento das relações tradicionais, analisando a obra literária de Lee Hee-joo, parte-se da hipótese de que tais vínculos parassociais funcionam não como causa, mas como sintoma de transformações sociais mais profundas. Eles emergem como respostas à crise das formas convencionais de pertencimento afetivo e à pressão de uma sociedade que, para muitos sul-coreanos, se tornou um “Hell Joseon” (inferno Joseon), um termo que descreve a Coreia do Sul como um lugar de intensa competição e poucas oportunidades, levando à desilusão e à busca por escapes emocionais e simbólicos.

A idealização do idol, na maioria das vezes promovida pela própria indústria do entretenimento, cria uma imagem de perfeição que contrasta com as dificuldades e imperfeições das relações interpessoais reais. As relações parassociais podem contribuir para o bem-estar emocional, reduzindo a solidão e auxiliando na construção da identidade dos fãs. Contudo, também apresentam riscos, como dependência emocional, idealização excessiva e dificuldade em distinguir fantasia e realidade, podendo gerar frustração quando a imagem idealizada da celebridade não corresponde à sua realidade. 

Em Parasocial Romantic Relationships Falling in Love with Media Figures, Tukachinsky Forster explica que:

[...] as relações parassociais apresentam manifestações afetivas, cognitivas e comportamentais (Tukachinsky e Stever 2019, 299). Em primeiro lugar, no nível afetivo, os usuários da mídia podem experimentar sentimentos intensos em relação à celebridade ou ao personagem, tais como atração, desejo e saudade. Em segundo lugar, o aspecto cognitivo dessa relação parassocial envolve fantasiar sobre a figura da mídia. Por exemplo, o usuário da mídia pode sonhar acordado em passar tempo com a personalidade da mídia, criando cenários imaginários sobre o relacionamento entre eles. Por fim, as manifestações comportamentais envolvem consumir conteúdo midiático que apresente o alvo da relação parassocial, tentar entrar em contato com a figura midiática (por exemplo, participando de eventos de encontro com fãs e conferências de fãs), colecionar itens de memorabilia e buscar informações sobre o objeto do amor parasocial.”[Tukachinsky, 2021, p. 2, tradução minha]

Podemos observar tais características na forma de amar da protagonista Umi. Ela fantasia acordada com o idol, enquanto está em uma reunião de trabalho, escreve o nome dela junto ao dele na neve. Ela participa de eventos para ver o idol, imagina cenários de como ele reagiria ao conhecê-la pessoalmente. Ela também coleciona muitos discos e photocards do alvo. 

Umi então  decide realizar uma inseminação artificial com o material genético do idol amado, que simboliza a manifestação física máxima da relação parassocial, derivada de uma “fantasia de compensação”. Essa 최애의 아이 (a criança do favorito) seria a compensação de não existir um relacionamento real entre protagonista e celebridade. A protagonista ignora totalmente a necessidade de reciprocidade real, mas chega a considerar esse tipo de relacionamento como “família”. Segundo Joanna Elfving-Hwang em Routledge Handbook of Celebrity Studies

“[...] a celebridade (e o ídolo fabricado, em particular) ocupa no panorama midiático coreano contemporâneo faz com que ela se torne um objeto tanto de consumo quanto de interação parassocial, de maneiras que constroem a celebridade como um “parente parassocial” imaginário. Em outras palavras, em vez de simplesmente funcionar como um “outro idealizado” a ser imitado ou copiado, a posição do ídolo-celebridade o ou a constrói simultaneamente como um objeto de adulação e de afeto familiar.” [Elfving-Hwang, 2025, p.190, tradução minha]

A geração sul-coreana chamada de Geração Sampo desistiu do namoro e do casamento por pressões econômicas. O termo surgiu na Coreia do Sul em 2011, combinando as palavras sam (), que significa três e po (), que significa desistência.  O número três mostra que muitos jovens sul-coreanos abdicaram de três pilares tradicionais da vida adulta: relacionamentos amorosos, casamento e filhos. A protagonista, contudo, não desiste da maternidade; ela a reinventa como um projeto individual de autorrealização, desconectado do sacrifício por um marido ou pela nação. Diferente de um marido real, o idol “não pode trair ou rejeitar” o indivíduo. Ele oferece uma forma de suporte emocional estável, funcionando como um “refúgio dentro do inferno” (Hell Joseon). 

Tukachinsky afirma que: 

“A pesquisa sobre relações com personagens de ficção, em geral, desenvolveu-se historicamente com base na suposição de que os personagens da mídia servem como substituto para as carências de relacionamento na vida real. Repetidamente, pesquisadores têm argumentado que as pessoas são atraídas pelas relações parassociais porque esses relacionamentos imaginários satisfazem suas necessidades sociais não atendidas.” [Tukachinsky, 2021, p. 48, tradução minha]

O autor ainda mostra a visão de uma fã que entrevistou: 

“Meu relacionamento com o Michael é o melhor que tenho com qualquer pessoa, porque sei que ele não pode me machucar”, revelou uma fã de Michael Jackson de 30 anos (Stever 2009). Alyssa (entrevista nº 10), que entrevistei para este livro, falou sobre sua paixão pela mídia da mesma maneira: “Acho que é quase uma questão de segurança. Porque, no fundo, sei que isso nunca vai acontecer, então é como se eu não fosse me machucar.” [Tukachinsky, 2021, p. 47, tradução minha] 

O conto 최애의 아이 pode ser interpretado como uma crítica contundente à desumanização das relações na Coreia moderna, onde a protagonista Umi prefere um “material genético de elite” e uma relação imaginária a um compromisso real com um parceiro. Isso reflete uma sociedade onde o consumo de imagens de perfeição (idols) substitui a crença na possibilidade de conexões humanas saudáveis e igualitárias dentro de um sistema socioeconômico altamente competitivo. A busca por um “filho de idol” não é apenas um desejo individual, mas um sintoma de uma patologia social mais ampla, onde a idealização e a mercantilização permeiam até mesmo as esferas mais íntimas da vida. A busca pela maternidade por meio do idol pode ser interpretada como uma tentativa de escapar das exigências do mercado matrimonial sul-coreano. Ao escolher o material genético de uma celebridade associada a elevado prestígio social e estético, a protagonista procura garantir mais facilmente ao futuro filho atributos valorizados socialmente na Coreia do Sul, sem precisar recorrer às formas convencionais de constituição familiar. 

Essa obra de ficção sul-coreana contemporânea, ao abordar temas como a mercantilização do corpo, a crise das relações tradicionais, a solidão e a ascensão das relações parassociais, desempenha um papel crucial na tentativa de compreensão das dinâmicas sociais e psicológicas que moldam a experiência humana na Coreia do Sul. As narrativas como a de Lee Hee-joo nos convidam a refletir sobre os limites da idealização, os perigos da mercantilização da vida e a persistente busca humana por afeto e pertencimento. A narrativa de Lee Hee-joo também levanta questões importantes sobre a ética da reprodução assistida em um contexto de mercantilização. 

Elfving-Hwang aponta que: 

“Embora os “Estudos sobre a Hallyu” tenham, portanto, gerado um número significativo de publicações em um período relativamente curto — especialmente no que diz respeito ao fandom do K-pop fora da Coreia —, os estudos sobre celebridades do K-pop voltados para os fãs nacionais ainda são pouco explorados.” [Elfving-Hwang, 2025, p.191, tradução minha]

Desta forma, revela-se relevante a discussão dos efeitos da Hallyu dentro do próprio país que a gerou. O conto em questão aqui nos coloca diante de questionamentos como: Se o esperma de um idol pode ser comprado, o que isso significa para a noção de família, parentesco e a própria dignidade humana? Além disso, até que ponto as relações parassociais revelam importantes formas contemporâneas de solidão e carência afetiva geradas pela extrema competitividade na sociedade sul-coreana? 

 

Referências 

Cheron Gonçalves de Pinho é licenciada em Letras Português-Inglês pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), com especializações em Língua Portuguesa, Relações Internacionais e Tradução. Atua como professora de idiomas e tradutora. Seus interesses de pesquisa incluem literatura coreana contemporânea, estudos culturais, relações parassociais, cultura pop e sociedade sul-coreana. 

 

CUETO, María del Carmen, HERNÁNDEZ, María del Refugio Navarro, BERNAL, Víctor Manuel. “Cultura colectiva (tradicional) e individualista (Honjok) en Corea del Sur” in PORTES, vol.2, n.4, Jan-Jun, 2025. p. 41 e 42. 

ELFVING-HWANG Joanna. “K- pop idols, artificial beauty and affective fan relationships in South Korea” in ELLIOT. Routledge Handbook of Celebrity Studies. London, 2025. p.190-191.

 

LAZZARO, Paloma. Para além da indústria do entretenimento: Entenda o Feminismo Coreano,2024.Disponível em: https://aun.webhostusp.sti.usp.br/index.php/2024/09/19/para-alem-da-industria-do-entretenimento-entenda-o-feminismo-coreano/

 

TUKACHINSKY FOSTER. Parasocial Romantic Relationships - Falling in Love with Media Figures. London, 2021. 

 

TUKACHINSKY FOSTER. The Oxford Handbook of Parasocial Experiences. London, 2023.  

 

7 comentários:

  1. Ana Helena Leite de Araujo8 de julho de 2026 às 00:29

    Cheron, boa noite! Achei seu texto muito interessante. Realmente, este tema conversa bastante com o assunto que abordei sobre o universo do k-pop, especialmente focando em direitos humanos e exploração dos artistas.

    Vi que uma das referências que você usou foi de uma entrevista a uma fã do cantor Michael Jackson, o que me fez pensar que essas relações parassociais estão além do universo da indústria sul-coreana. Além disso, a questão da pressão social e do contexto do ''Hell Joseon'' pode explicar até certo ponto o motivo de tais relações parassociais no que diz respeito aos fãs coreanos. Porém, pensando nos fãs internacionais, vemos que este fenômeno também acontece, e de modo mais intenso no universo do k-pop do que em outros tipos de entretenimento cultural. Pensando neste caso dos idols de k-pop e seus fãs internacionais, na sua opinião, até que ponto essas relações são uma resposta às mudanças sociais globais e até que ponto são também produzidas e reforçadas pelas estratégias da indústria do entretenimento sul-coreano? Você acredita que exista algum aspecto histórico-cultural da Coreia do Sul que colabore para reforçar este fenômeno ou é algo puramente planejado e que deu certo por causa das pressões sociais atuais sofridas pelos sul-coreanos?

    Estou ansiosa para ouvir suas opiniões a respeito! Desde já, obrigada!

    Atenciosamente,

    Ana Helena Leite de Araujo

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    1. Cheron Gonçalves de Pinho9 de julho de 2026 às 16:20

      Muito obrigada pela leitura atenta e pelas reflexões, Ana Helena. Fiquei muito feliz em saber que o texto realmente dialogou com sua pesquisa.
      Realmente as relações parassociais não são um fenômeno exclusivo do k-pop, como demonstra o exemplo da fã de Michael Jackson. Na minha percepção, elas parecem ser uma resposta a mudanças sociais mais amplas, como o aumento da solidão e da individualização no mundo contemporâneo. A crescente mediação tecnológica das interações humanas também contribui para isso. Nesse sentido, artistas de diferentes países acabam ocupando um espaço afetivo semelhante para muitos fãs.
      No caso do k-pop, porém, penso que a indústria sul-coreana potencializa esse fenômeno por meio de estratégias bastante específicas. A construção da imagem do idol como alguém perfeito e inacessível, mas ao mesmo tempo acessível, próximo e disponível emocionalmente por meio de fanchats, fansign e conteúdos que mostram uma suposta vida real cotidiana dos artistas, favorece o idealismo desses idols por parte dos fãs.
      E sim, acredito que alguns aspectos do contexto histórico e social da Coreia do Sul contribuem para fortalecer essa dinâmica, como discuti no texto sob a ideia de "Hell Joseon". Entretanto, esses fatores explicam o processo dentro da Coreia e não explicariam a dimensão global do fenômeno.
      Na minha opinião, o sucesso internacional dessas relações parassociais mesmo entre fãs não coreanos com os idols coreanos decorre justamente da combinação entre transformações sociais globais, como a solidão e a digitalização das relações, e uma indústria do entretenimento que aperfeiçoou mecanismos para estimular sentimentos de idealização e proximidade, mesmo que limitada, fatores que se propõem a saciar a solidão humana atual. Talvez seja exatamente essa combinação que diferencie o k-pop de outras indústrias culturais.
      Mais uma vez, agradeço pelas perguntas. Elas me fizeram pensar em aspectos que certamente pretendo aprofundar em pesquisas futuras.

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  2. Olá! Primeiro, parabéns pelo texto. Por coincidência, eu estava assistindo a um canal no YouTube que abordava a idealização do jogador Neymar pela atual geração brasileira. O produtor de conteúdo relacionou esse fenômeno, de forma quase incontestável, a uma idealização promovida pelo neoliberalismo, na qual a solidão/isolamento e a busca incessante pelo sucesso individual são características centrais. No caso de Neymar, o sucesso do ídolo torna-se, por projeção, o do próprio fã.

    Pensando nisso e expandindo a lógica para outros contextos, você acredita que, no cenário sul-coreano, a dinâmica do 'mercado dos afetos' (especialmente na indústria do K-pop) tomou proporções ainda mais intensas devido à própria estrutura social e histórica do país? Como podemos correlacionar essa mercantilização profunda do afeto e a consequente fragilidade das relações humanas com o avanço do modelo neoliberal?

    Att, Elaine Alves da Silva.

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    1. Cheron Gonçalves de Pinho9 de julho de 2026 às 16:34

      Olá, Elaine!
      Muito obrigada pela leitura e pelas reflexões. Achei muito interessante a relação que você estabeleceu entre a idealização do ídolo e o neoliberalismo. Acredito que essa perspectiva contribui bastante para compreendermos por que as relações parassociais se intensificam na contemporaneidade.
      Na minha visão, a indústria do k-pop se beneficia de condições que não são exclusivamente sul-coreanas, mas que ganharam características muito particulares no país. A competitividade social, a valorização extrema do desempenho e as transformações econômicas vividas pela Coreia do Sul nas últimas décadas criaram um ambiente em que tanto artistas quanto fãs estão inseridos em uma lógica de constante performance. Nesse contexto, o afeto também pode se tornar um bem consumível.
      Acredito sim que o avanço neoliberal tenha sua contribuição para a mercantilização do afeto, uma vez que esse modelo acredita na livre concorrência econômica, colocando o indivíduo como o único responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Ao fazer isso, tudo vai se tornando mercadoria, inclusive o afeto. Um exemplo está no próprio conto em que o material genético do artista é vendido, algo que não duvido que um dia poderia realmente acontecer. O individualismo e meritocracia pregados pelo neoliberalismo também promovem a autossuficiência do indivíduo, o que, muitas vezes, cria pessoas solitárias. Isso com certeza tem o poder de afetar o psicológico de pessoas que tendem então a criar relações parassociais, para satisfazer a solidão e ao mesmo tempo não ter que lidar com as dificuldades de uma relação na vida real.
      Muito obrigada pela pergunta! Ela amplia bastante a discussão e me fez pensar em caminhos interessantes para aprofundar essa temática em pesquisas futuras.

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  3. Oi, Cheron.
    Achei o seu debate muito pertinente para que possamos construir, enquanto fãs de cultura coreana, um consumo mais consciente. Gostei da forma como você discute a construção das relações parassociais na indústria do K-pop, seguindo quase uma lógica familiar. A partir disso eu fiquei pensando em um um artigo que li há uns meses, especificamente sobre o caso das artistas femininas e o público masculino consumidor.
    Você concordaria que as idols mulgeres acabam sendo comercializadas não apenas como musicistas, mas também como ideais de namorada ou esposa? Você acredita que isso contribui para reforçar ideia de controle e posse sobre essas artistas??

    Parabéns pelo trabalho.
    Att
    Lídia Gabrielly Mendes

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    1. Cheron Gonçalves de Pinho9 de julho de 2026 às 16:43

      Olá, Lídia!
      Muito obrigada pela leitura e pelas palavras. Fico feliz em saber que o texto despertou essa reflexão.
      Concordo que, no caso de muitas idols, a comercialização frequentemente ultrapassa o aspecto artístico. Além da música e da performance, muitas vezes é construída uma imagem de acessibilidade, pureza e disponibilidade afetiva, o que pode aproximá-las do ideal de "namorada" ou "esposa" para parte do público. Essa construção favorece o desenvolvimento de relações parassociais mais intensas.
      No entanto, acredito que esse fenômeno não se restringe às artistas mulheres. Idols masculinos também costumam ser apresentados como parceiros ideais para suas fãs. A diferença, ao meu ver, está na forma como essas expectativas se manifestam e nas desigualdades de gênero que atravessam a indústria (e o mundo como um todo, infelizmente). As mulheres frequentemente enfrentam um controle ainda mais rígido sobre sua vida pessoal, aparência e relacionamentos, sendo alvo de reações mais severas quando rompem a imagem construída pela indústria. Além disso, a sensualidade é explorada por muitas vezes de maneira apelativa em idols femininas por parte da indústria.
      Achei interessante sua colocação sobre consumo consciente de k-pop. Eu também entrei nesse mundo oriental via K-dramas e K-pop, até me aprofundar em outros aspectos culturais. Apoio os artistas, mas tenho consciência do que eles vivem, e espero que um dia o cenário melhore a questão humana no tratamento desses idols.
      Muito obrigada pela excelente pergunta! Ela amplia o debate para uma dimensão de gênero que certamente merece ser explorada em pesquisas futuras.

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  4. Aline Gomes de Albuquerque Correia Gomes de Albuquerque Correia10 de julho de 2026 às 09:18

    Oi Cheron, parabéns pelo texto.
    Considerando o investimento que o estado sul-coreano faz na sua própria indústria cultural, como a gente pode constatar com a expansão dessa para o internacional nos anos 2010 em diante, eu queria saber se você conseguiu identificar algum tipo de intencionalidade do governo de promover essas relações parassociais e se, considerando casos em que essas relações vão além do "aceitável" existiram contramedidas ou algum tipo de incentivo de consumo consciente.

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