A IMPERATRIZ DEVASSA? APONTAMENTOS SOBRE O DIÁLOGO ENTRE REPRESENTAÇÕES DE WU ZETIAN E A LITERATURA VERNACULAR DO PERÍODO MING por Maria Eduarda Siqueira Leite

 

Uma das figuras mais populares quando se trata de mulheres na história da China Imperial —  e mais especificamente, da Dinastia Tang , que teria se estendido desde 618 a 907 [Unzer, 2021, p. 349] —  a imperatriz Wu Zetian 武則天 teve uma longa trajetória na realeza da época. Tal trajetória teve seu início quando Wu Zetian se tornou concubina do imperador Taizong 太宗 ainda na adolescência. Entretanto, pouco tempo depois, com a morte do soberano, ela partiu para um monastério, visto que não se enquadrava no grupo de concubinas que possuíam filhos com ele e, consequentemente, a tradição já não lhe garantia a estadia no palácio. Mas a transferência para um novo ambiente não foi capaz de desatar seus laços com o coração da dinastia: portadora de uma reputação de destaque em vista das demais concubinas, Wu Zetian recebia visitas do novo imperador, Gaozong 高宗, filho de Taizong [Ferla, 2021, p. 112]. Porém, foi o olhar atento da então imperatriz Wang , somado a tal relação, que a transportou novamente para a corte, como uma tentativa de distrair Gaozong da forte presença de Xiao , uma de suas concubinas. Ainda que à época de seu retorno ela já carregasse no ventre um filho do imperador, sua segunda estadia trouxe novas adições à prole de ambos. Assim, em 655 [McMahon, 2013, p. 189], veio o ato que sedimentou sua influência pelo restante da dinastia Tang, quando Wu Zetian foi oficialmente indicada como imperatriz consorte por Gaozong.

 

Tal influência não se dissipou ao longo dos anos. Pelo contrário, a imperatriz adentrou o âmbito político da época de forma cada vez mais ativa, algo motivado pela frágil saúde do marido. Em meio a esse cenário, Wu Zetian tornou-se uma imperatriz viúva, além de regente indicada por Gaozong de seu filho Zhongzong 中宗, quando a vida do marido chegou ao fim, em 683 [Twitchett, 2003, p. 49]. A configuração do novo reinado se esgotou rapidamente devido às tensões entre ambos, fazendo com que Zhongzong fosse deposto pela mãe. Indicando outro de seus filhos, Ruizong 睿宗, como o novo imperador, Wu Zetian não deixou o posto de regente.

 

Esse arranjo permitiu que o peso da imperatriz regente se erguesse cada vez mais em relação ao poder, afinal, mesmo que Ruizong fosse o líder oficial da dinastia, Wu Zetian se agarrou ao controle do governo. Foi em 690 que a escalada de tal situação atingiu seu ápice, com Wu Zetian assumindo o cargo de maior importância do império ao se proclamar como “Santo e Divino Imperador” [Song, 2010, p. 363, tradução própria]. A partir de então, a soberana também anunciou o início de sua própria dinastia, Zhou .

 

Com um reinado marcado por uma administração de sucesso [Unzer, 2021, p. 359], além do emprego da religião como ferramenta de legitimação [Dien, 2003, p. 59], Wu Zetian se mostrou uma imperatriz capaz de governar com inteligência e sabedoria, apesar da escandalização causada por sua ascensão ao trono, fator que a tornou alvo de descrições extremamente negativas e sexualizadas, seja na historiografia, seja em obras ficcionais. Embora a figura de Wu Zetian tenha gerado repúdio e fascínio em doses semelhantes no passado e na contemporaneidade, sua memória foi enclausurada em uma personagem violenta, sedenta pelo poder e pelo prazer sexual, que foi instrumentalizada como lembrança do perigo contido em uma mulher que aproxima do poder.

 

Essa é uma situação vista em diversas obras, como em Ruyijun zhuan 如意君傳 [O Senhor da Perfeita Satisfação], que embarca seus leitores na jornada de Wu Zetian, repleta de aventuras sexuais, em meio à ascensão ao trono. A história foi escrita próximo à década de 1530 [McMahon, 2013, p. 200] —  ou seja, durante o período da Dinastia Ming —  e não possui autoria confirmada, ainda que Stone [2003] tenha levantado a hipótese de que Huang Xun, um “intelectual que ocupou diversos cargos governamentais durante o reinado de Jiajing [1522-1567]” [p. 57, tradução própria], esteve por trás da produção. Na obra, a imperatriz é retratada como uma mulher perversa e usurpadora do poder, mas também se torna uma devassa sexualmente insaciável em cenas explícitas. Suas paixões sexuais alcançam dimensões tão extremas que, apesar de dispor de diversos homens para seu prazer, nenhum deles a satisfaz. Em certo ponto da história, somos apresentados a Xue Aocao, um jovem conhecido pelo tamanho exagerado de seu órgão sexual que é convocado para se apresentar perante a imperatriz. A partir de então, Wu Zetian dá início a um relacionamento com ele, que se torna o único homem capaz de saciar suas necessidades.

 

Sob um primeiro olhar desatento, Ruyijun zhuan pode até parecer uma mera inserção de contextos e figuras históricas em uma narrativa puramente sexual. Contudo, uma análise mais detalhada, como feita por Stone [2003] demonstra que o texto não se encaixa com exatidão na categoria de pornografia, uma vez que enquanto esta primeira tem como “objetivo principal [...] estimular uma resposta erótica no leitor” [p. 23, tradução própria], a narração de Ruyijun zhuan se desenvolve em meio a um cenário histórico cuidadosamente reconstruído, com referências a fontes oficiais e textos eruditos da China Antiga, inclusive clássicos do Confucionismo. Curiosamente, embora o texto seja composto em parte por cenas extremamente explícitas, muitas vezes elas são interrompidas por trechos e falas que remetem a questões de moralidade. Nesse sentido, torna-se plausível dizer que Ruyijun zhuan emprega o recurso de “disfarçar moralidade com uma exposição externa daquilo que pode inicialmente parecer ser seu oposto” [Stone, 2003, p. 19, tradução própria]. Desse modo, o texto se apropria da história de Wu Zetian e submete sua figura a cenas que podem ser compreendidas tanto como um fator de choque, quanto como um chamariz ao leitor, para expressar ideais de conduta.

 

Nesse sentido, a moralidade implícita em Ruyijun zhuan se projeta majoritariamente sobre a figura que ocupa a soberania do império. Todavia, ao explorar as análises de Stevenson [2017] e McMahon [2017], novas possibilidades de compreender o tema se abrem, em virtude de como a obra é capaz de estender-se para outros tópicos e entrelaçar a questão do poder imperial com o campo dos papéis de gênero da época. Isso ocorre dado que, durante o período tardio da Dinastia Ming e o da Dinastia Qing , há um crescente interesse na literatura vernacular ficcional chinesa pela sexualidade feminina [Stevenson, 2017, p. 5]. Em vista disso, uma categoria de personagens femininas conhecida como yinfu 淫婦, “mulheres devassas”, já presente anteriormente, ganha força em tais textos. De acordo com Stevenson [2017, p. 6], as histórias que tratam de tais mulheres o fazem a partir de tons negativos que refletem a noção de que era preciso controlar as mulheres e seus desejos sexuais.

 

Dessa forma, na literatura vernacular da época, a imagem da yinfu também é a raiz de outra classe de representação feminina, a imperatriz poliândrica, — ou seja, que se envolve com mais de um homem ao mesmo tempo —  descrita por McMahon [2017] como uma “sub-categoria [...] para a mulher devassa” [p. 30, tradução própria]. O autor aponta que Wu Zetian é um dos exemplos de tal “categoria imaginária” que se estabelece como um “contraponto hipotético ao imperador polígino, que foi um padrão ao longo da história” [McMahon, 2017, p. 29, tradução própria]. Embora a ocorrência de tais relações na vida de mulheres imperiais possa ser discutida a partir de relatos nas fontes históricas, essas situações são hiperbolizadas nas narrativas ficcionais. Fica estabelecida, assim, uma noção de que a presença de uma mulher no poder seria uma consequência da debilidade masculina, afinal:

 

“A mulher no poder era, inevitavelmente, a mulher sexualmente voraz. Outro tema dessa lógica era a equação entre a imperatriz poliândrica e a impotência dos homens, o que, na realidade histórica, ocorria com mais frequência quando surgiam mulheres regentes, ou seja, imperatrizes que governavam quando os imperadores morriam e os herdeiros aparentes eram muito jovens. A mulher regente assumia o comando quando os homens estavam fracos e ameaçava mantê-los fracos enquanto governasse — daí a necessidade de eliminá-la e impedi-la a todo custo.” [McMahon, 2017, p. 30, tradução própria].

 

Levando em consideração a proximidade da época em que Ruyijun zhuan supostamente foi produzido e a intensa atenção dada na literatura vernacular ao caráter de yinfu, é possível compreender que a obra pode ter sido fortemente influenciada por tais movimentos, ainda que ela surja em um momento brevemente anterior, o que poderia, talvez, situá-la à beira da ebulição dessas questões. De acordo com Epstein [2017], a Wu Zetian do livro está entre “as duas yinfu mais reconhecíveis e influentes na literatura chinesa do final do império” [p. 159, tradução própria], com uma construção marcada pelo “apetite sexual insaciável das mulheres e a vontade desestabilizadora de poder que derruba a ordem hierárquica paralela do estado [guo ]  e do lar [jia ]” [p. 159, tradução própria]. A figura de Wu Zetian construída pela narrativa se encaixa no estereótipo yinfu ao ser uma mulher devassa, perigosa e enlouquecida pelo prazer ao ponto de permitir que seus desejos sexuais influenciem sua regência. Um exemplo disso seria a cena em que, para homenagear Xue Aocao —  seu Ruyi, “Senhor da Perfeita Satisfação” — por ser capaz de atender suas necessidades, a imperatriz decide mudar o nome do ano do calendário para “Primeiro Ano da Perfeita Satisfação”, e apresenta uma reação desproporcional ao ser questionada:

 

“Nesse momento, o vice-diretor adjunto do Departamento de Assuntos do Estado, Yang Zhirou, apresentou diretamente um memorial ao trono e disse: ‘Toda a classe burocrática aceitou o decreto imperial de alterar o nome do ano do calendário, mas muitos não compreendem o significado do termo ‘Perfeita Satisfação’. Como ele não designa algo auspicioso e, além disso, não tem relação com a forma de governar, solicita-se que Vossa Majestade o altere.’

A imperatriz respondeu: ‘Como ousa discordar de uma proposta que eu mesma apresentei!’ Em seguida, destituiu Zhirou de seu cargo. A partir daquele momento, todos ficaram com medo e não ousaram mais fazer críticas.” [Stone, 2003, p. 147, tradução própria].

 

Seguindo a lógica de exacerbar relatos reais dentro da narrativa, Ruyijun zhuan se apropria do fato que a imperatriz teria mudado o nome do calendário para Ruyi em 692 e o trocado novamente no mesmo ano [Stone, 2003, p. 210], apesar de que as fontes não explicitem seus motivos, para delinear um estereótipo de mulher sexualizada e enlouquecida pela paixão. Aqui, o fato de que a imperatriz se deixa orientar totalmente por assuntos relacionados a sua intimidade espelha o perigo representado pela falta de controle sexual de mulheres devassas. Já a relação entre força feminina e impotência masculina mencionada acima pode ser observada para além do campo metafórico em Ruyijun zhuan. Dado que um dos elementos constantes no decorrer da história é a maneira com que todos os casos amorosos de Wu Zetian, com exceção de Xue Aocao, possuem como consequência do intenso contato sexual exigido pela imperatriz a exaustão de suas energias vitais, enquanto ela permanece saudável e com aparência jovem até mesmo em idade avançada.

 

Sob essa ótica, torna-se perceptível o diálogo entre Ruyijun zhuan e o cenário literário do período Ming tardio, bem como sua influência em outras produções ficcionais eróticas posteriores que se debruçam sobre a figura da yinfu, como Chipozi zhuan 癡婆子傳 [A história de uma mulher apaixonada], escrita por volta de 1590 e carregada de “uma série de detalhes que se sobrepõem [...] que sugerem que o autor queria que o leitor fizesse comparações com o Ruyijun zhuan” [Stevenson, 2017, p. 13, tradução própria]. Em todo caso, nota-se a maneira com que a figura da imperatriz foi modelada para sustentar noções de moralidade feminina no período, renegando seu potencial de atuação política para privilegiar contos viciosos sobre sua intimidade.

 

 

Referências

Maria Eduarda Siqueira Leite é mestranda no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná [PPGHIS/UFPR], sendo bolsista CAPES-PROEX. Licenciada em História pela mesma instituição, também faz parte do Grupo de Estudos Africanos e Asiáticos [GEAFRAS/UFPR]. Lattes: http://lattes.cnpq.br/1209428972673101.

E-mail: mariaesleite@gmail.com/osarquivosdamari@gmail.com

 

Fontes

STONE, Charles R. The fountainhead of Chinese erotica: the lord of perfect satisfaction [Ruyijun zhuan]. Honolulu: University of Hawai’i Press, 2003.

 

Bibliografia

DIEN, Dora Shu-Fang. Empress Wu Zetian in fiction and in history: female defiance in Confucian China. Nova York: Nova Science Publishers, 2003.

 

EPSTEIN, Maram. “Turning the Authorial Table: Women Writing Wanton Women, Shame, and Jealousy in Two Qing Tanci” in STEVENSON, Mark; CUNCUN, Wu [Eds]. Wanton Women in Late-Imperial Chinese Literature: Models, Genres, Subversions and Traditions. Boston: Brill, 2017, p. 157-183.

 

FERLA, Hannah. “From Concubine to Ruler: The Lives of Emperor Wu Zetian and Empress Dowager” in History in the Making, v. 14, 2021, p. 103-134.

 

MCMAHON, Keith. “The Polyandrous Empress: Imperial Women and their Male Favorites” in STEVENSON, Mark; CUNCUN, Wu [Eds]. Wanton Women in Late-Imperial Chinese Literature: Models, Genres, Subversions and Traditions. Boston: Brill, 2017, p. 29-53.

 

MCMAHON, Keith. Women shall not rule: Imperial wives and concubines in China from Han to Liao. Lanham: Rowman & Littlefield Publishers, 2013.

 

SONG, Xianlin. “Re-gendering Chinese History: Zhao Mei’s Emperor Wu Zetian” in East Asia, vol. 27, 2010, p. 361-379.

 

STEVENSON, Mark. “Wanton Women in Late-Imperial Chinese Literature: Models, Genres, Subversions and Traditions” in STEVENSON, Mark; CUNCUN, Wu [Eds]. Wanton Women in Late-Imperial Chinese Literature: Models, Genres, Subversions and Traditions. Boston: Brill, 2017, p. 3-26.

 

TWITCHETT, Denis. “‘Chen gui’ and Other Works Attributed to Empress Wu Zetian” in Asia Major, vol. 16, n. 1, 2003, p. 33-109.

 

UNZER, Emiliano. História da Ásia. Columbia: Amazon, 2021.

8 comentários:

  1. A leitura de Ruyijun zhuan foi muito boa.

    Fiquei com duas dúvidas e queria saber de você sobre. A primeira é sobre método: não ficou muito claro qual é o seu próprio procedimento de leitura da fonte, se é uma análise de discurso, uma leitura comparativa com outras yinfu, ou algo mais descritivo apoiado nos comentários de Stone. Como vi que está mestrando assim como eu, fiquei curioso sobre isso.

    A segunda pergunta é sobre a bibliografia: a pesquisa se apoia inteiramente em autores ocidentais pelo o que entendi (Stone, McMahon, Stevenson, Epstein). Existe historiografia chinesa sobre Wu Zetian e sobre esse tipo de literatura vernacular que possa ser incorporada, mesmo que indiretamente?

    Att,
    Victor Hugo de Mattos Trindade

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  2. Olá, Maria Eduarda, o seu texto é excelente!

    Acho muito interessante a história da Wu Zetian e como ela é representada, então assim que vi o título do seu texto eu sabia que teria que ler. Também achei muito interessante como certas narrativas se repetem ao longo da história chinesa; por exemplo, você falou sobre o personagem com pênis grande que seria o único a satisfazer a Wu Zetian. Num capítulo do Shiji suspeito de adulteração posterior, surge uma história em que Lu Buwei encontra um homem chamado Lao Ai (mais tarde conhecido por sua rebelião contra Ying Zheng, ou Qin Shi Huang), conhecido justamente por ter um pênis grande, e o apresenta à sua amante, Zhao Ji (mãe de Ying Zheng), numa exposição bastante bizarra. Zhao Ji o toma como amante e também é descrita como uma mulher que possui desejos insaciáveis antes de Lao Ai. Talvez o autor do Ruyijun zhuan tenha se inspirado nesse capítulo suspeito de Sima Qian e reciclado essa narrativa machista.

    Tendo em vista esse sensacionalismo em torno da Wu Zetian, você acha que a imagem de "imperatriz devassa" ainda é uma representação muito difundida da Wu Zetian entre o público, ou essa percepção vem mudando nos últimos anos?

    Atenciosamente,
    Thaís Monise de Lima Xavier

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    1. Oi, Thaís!

      Muito interessante esse diálogo que você fez com Shiji, acho possível que exista alguma conexão mesmo!

      Se estamos falando de dentro da academia, a grande maioria dos trabalhos com os quais eu entrei em contato se distanciam bastante dessa imagem, e nós temos também alguns exemplos recentes de representações fictícias que utilizam a figura dela de uma forma mais positiva (como Viúva de Ferro, ainda que o livro não se proponha a ser uma ficção histórica e nem uma história alternativa). Mas falando do "senso comum" por assim dizer, se a gente pesquisar o nome dela por aí, ainda encontramos textos e publicações de blogs, por exemplo, que reproduzem essa figura de uma mulher louca, violenta, extremamente sexual, e deixam a atuação política dela completamente de lado. Ao mesmo tempo, também já me deparei com podcasts e posts em redes sociais que tratam essa imagem de uma maneira mais humanizada...Enfim, esperamos que nos próximos anos essas representações que não são tão misóginas continuem a crescer, né?

      Obrigada pela sua pergunta!

      Atenciosamente,
      Maria Eduarda Siqueira Leite

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  3. Maria Eduarda-san, boa tarde!
    Gostei muito da forma como você mostra que a imagem de Wu Zetian foi construída para além de sua atuação política, sendo constantemente atravessada por representações sexualizadas e moralizantes. Enquanto lia, fiquei pensando que essas narrativas parecem funcionar como mecanismos de controle sobre mulheres que ocupam posições de poder. Nesse sentido, você acredita que seria possível aprofundar essa discussão a partir de uma outra perspectiva, entendendo essas representações não apenas como uma tentativa de deslegitimar Wu Zetian individualmente, mas como parte de um discurso mais amplo sobre os limites impostos à autoridade feminina na historiografia chinesa?
    Abraços.
    Carolina Benkert.

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    1. Oi, Carolina!

      Obrigada pela pergunta! Acredito que um aprofundamento nesse sentido seria bem frutífero, até porque segundo McMahon (2017, p. 39) ela se torna um exemplo para mulheres imperiais do que não fazer, então acho que a figura dela pode sim dialogar com a questão da autoridade feminina de uma forma mais abrangente mesmo.

      Atenciosamente,
      Maria Eduarda Siqueira Leite

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  4. Cara Maria, adorei seu texto! Em face das outras questões já colocadas, minha pergunta segue no seguinte sentido: podemos ver a propaganda negativa sobre Wuzetian como uma forma de apagamento da memória e do recrudescimento do machismo principalmente nos períodos Ming e Qing?
    saudações,
    André Bueno

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    1. Caro André, obrigada pelo comentário!

      Acredito fortemente que os dois pontos que você menciona podem estar conectados, principalmente se levarmos em conta as transformações que a questão dos papéis e expectativas para o gênero atravessa no período Ming. Então talvez haja uma influência mútua entre esses dois âmbitos, ou seja, as representações negativas e os valores para o feminino na realidade.

      Atenciosamente,
      Maria Eduarda Siqueira Leite

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  5. Caro André, obrigada pelo comentário!

    Acredito fortemente que os dois pontos que você menciona podem estar conectados, principalmente se levarmos em conta as transformações que a questão dos papéis e expectativas para o gênero atravessa no período Ming. Então talvez haja uma influência mútua entre esses dois âmbitos, ou seja, as representações negativas e os valores para o feminino na realidade.

    Atenciosamente,
    Maria Eduarda Siqueira Leite

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