A DIALÉTICA NA VISÃO HISTÓRICA NAS LITERATURAS DE BOTCHAN E KOKORO: A TRADIÇÃO E MODERNIDADE NOS TRABALHOS DE NATSUME SOSEKI por Levi Yoriyaz

Este texto é um convite para discutir a respeito sobre impressões e experiências da modernidade como um fenômeno inédito, o qual faz frente com os costumes e o pensamento tradicional dentro do espectro literário e social no Japão nos anos finais do século XIX. Também trazemos dentro desta discussão, a questão de que a modernidade traz consigo suas contradições, de modo que o moderno não consiste em apenas carregar elementos do ‘novo’, mas dialoga e carrega traços de valores tradicionais, o que retira a ideia de que a modernidade se separa do antigo.

 

O recorte que procuramos desdobrar é no momento em que o Japão está sendo ‘descoberto’ e admirado aos olhos das potências europeias. Isto é, o marco da abertura das cidades portuárias japonesas e o acesso dos consulados ocidentais dentro do território japonês em 1854 e 1858. Este período, por um lado, foi um episódio em que a cultura japonesa passou a ser largamente apreciada pela Europa com o fenômeno do Japonismo.

 

Nações como a França, as províncias italianas e o império britânico foram uma dos principais consumidores e apreciadores da arte e artigos japoneses. A importação do chá, vestimentas de quimonos, cópias de xilogravuras e pinturas do estilo ukiyo-e contribuíram para o emergente movimento artístico europeu como o impressionismo, assim como uma nova maneira de perceber a moda, aperfeiçoando a técnica de estilo nas noções de arte e estética:

 

“O evento mais importante na “descoberta” britânica da arte japonesa foi a seção japonesa na Exposição Internacional de 1862, em Londres. Embora tenha havido algumas contribuições do governo japonês, como amostras de madeira e papel, o então ministro britânico no Japão, Rutherford Alcock, enviou a maioria dos itens, que ele havia coletado sistematicamente para essa ocasião. Assim, ela refletia a visão britânica do que era a arte japonesa, em vez da visão japonesa. Os itens também incluíam ferramentas, como instrumentos cirúrgicos, e ainda há um forte tom etnográfico em algumas das exposições, como uma capa de chuva de palha ou tamancos de madeira.” (KIKUCHI & WATANABE, 2002, pág. 151)

 

Já no espectro da política internacional na perspectiva japonesa, propostas de modernização são pensadas como forma de introduzir os costumes ocidentais no Japão, como um projeto de cosmopolitismo. Esta proposta está alinhada na busca de ‘modernizar’ o Japão, isto é, a perspectiva de que a cultura, a política e os modelos sociais ocidentais sejam sinônimos de progresso e de inovação tecnológica. A recepção e o consumo de artigos europeus ficou atrelado a definição de status social e de ‘civilizado’, de modo que se tornou até uma proposta política de adotar esses costumes como norma na sociedade japonesa:

 

“Inoue, o ministro das Relações Exteriores na época, procurou adotar a vida social do Ocidente, simbolizada pelas festas dançantes no Rokumeikan, como forma de promover a imagem do Japão como uma nação civilizada entre os diplomatas ocidentais em Tóquio que não estavam familiarizados com a cultura japonesa. Ele também propôs a adoção de estilos de vida, maneiras e costumes ocidentais. Ele chegou a sugerir que o idioma inglês fosse substituído pelo japonês. As crescentes críticas nacionalistas à imitação indiscriminada do estilo de vida ocidental por parte de Inoue foram um dos fatores que contribuíram para a forte oposição interna à nomeação de juízes estrangeiros nos tribunais japoneses.” (INOUYE, 2000, pág. 142)

 

O contexto descrito, desde então,descreve dois processos. A primeira se dá com o maravilhar do Ocidente em relação à cultura japonesa, onde a sua beleza é traçada como exótico no sentido de haver um reconhecimento de uma arte que exala a noção de ‘civilização’, mas também do fantástico, onde a cultura japonesa traz consigo uma visão de uma sociedade que emana arte na sua paisagem urbana e rural. No segundo ponto, percebe-se a tensão interna quanto ao posicionamento da introdução de valores e costumes ocidentais dentro da sociedade japonesa no parecer político, onde ocorrem manifestações de indignação com a presença de posicionamentos conservadores que são opositores à presença de estrangeiros no Japão, assim como contra a introdução da cultura ocidental sendo adotados dentro da sociedade japonesa.

 

O que havia de mais avançado no passado?

A recepção da modernização no espectro social se recorrermos às fontes literárias, encontraremos passagens onde tanto o moderno quanto o tradicional se encontram e se mesclam. Esse encontro é tanto descrito como contraditório, tornando um conflito de espaços. Nas obras de Natsume Soseki, por exemplo, veremos narrativas que apontam esta tensão entre a tradição e o moderno:

 

“A obra literária Botchan (1906) de Natsume Soseki demonstra a concepção de haver um templo em meio a uma avenida com estruturas modernas, uma vista anacrônica, conflituosa, onde a percepção da paisagem causa um estranhamento, como se a localização do templo estivesse fora do lugar. (...) Decidi passear um pouco. Dirigi-me para o norte, e ao chegar à extremidade da cidade vi à esquerda um grande portal para além do qual havia um templo, com bordéis ladeando o caminho. É um fenômeno sem precedentes haver casas de prazer no acesso a um templo budista.” (SOSEKI, 2016, pg. 109)

 

“Em Kokoro (1914)  Soseki salienta a diferença de gerações, onde também demonstra uma separação entre o tradicional e o moderno. A questão de como é descrito o fim de uma era e o início de um novo, ser visto como algo melancólico para os que pertencem a uma geração que se encontra chegando ao fim. (...) Então, no auge do verão, o Imperador Meiji faleceu. Senti como se o espírito da Era Meiji tivesse começado com o Imperador e terminado com ele. Fui tomado pela sensação de que eu e os outros, que fomos criados nessa era, agora estávamos deixados para trás para viver como anacronismos.” (SOSEKI, pg. 245) 

 

Enquanto Soseki traz a experiência do exercício da literatura moderna no Japão, traçando paisagens entre a modernização e o tradicional, como pode ser visto em Botchan, e a diferenciação geracional presente em Kokoro, há outras narrativas que demonstram um posicionamento perante a modernização emergente.

 

Okakura Kakuzo em Ideals of the East de 1903, descreve sobre as culturas compartilhadas entre Índia, China e Japão. Esta conectividade molda e constrói uma perspectiva de identidade cultural que estabelece uma fronteira entre a racionalidade europeia cartesiana com a noção cosmológica asiática. Este posicionamento se torna um argumento da diferenciação cultural e filosófica entre o Ocidente e o Oriente, no quesito de alegar que a Ásia de forma alguma é atrasada em relação às potências industriais europeias:

 

“A Ásia é uma só. O Himalaia divide, apenas para acentuar, duas civilizações poderosas: a chinesa, com seu comunismo de Confúcio, e a indiana, com seu individualismo dos Vedas. Mas nem mesmo as barreiras nevadas podem interromper por um momento essa ampla expansão de amor pelo Supremo e Universal, que é a herança comum de pensamento de todas as raças asiáticas, permitindo-lhes produzir todas as grandes religiões do mundo e distinguindo-as dos povos marítimos do Mediterrâneo e do Báltico, que gostam de se deter no Particular e de buscar os meios, e não o fim, da vida.” (OKAKURA, 1920, pg. 1)

 

O argumento de Okakura é um posicionamento perante as concepções que defendem a ocidentalização como um sinônimo de progresso materialista. Nesse sentido, o autor evoca a qualidade que vai além do concreto que são o aspecto de valores e o conceito de arte, que pode ser tanto encontrado em sua obra Ideals of the East e o Livro do Chá, onde a argumentação artística de Okakura contrapõe com a visão da Arte concebida pela europeia. Dessa forma, enquanto a Europa no final do século XIX enfrentava uma crise em definir ou fazer a arte progredir ou perceber novas formas de expressar o conceito de beleza, muitos artistas europeus, sobretudo, viram o Japão como referência de tentar vislumbrar uma nova forma de perceber a Arte.

 

O que há de mais antigo na modernidade?

 

Agora, se depararmos com uma perspectiva de um estrangeiro que enxerga a mesma paisagem descrita por Soseki, a reação é completamente diferente. Se seguirmos o olhar de um dos grandes escritores sobre os relatos de viagem no Japão, como Lafcadio Hearn, a descrição é de um espectador que já é conhecedor dos processos de modernização:

 

“Hearn foi uma das referências literárias que descreve a combinação do moderno com o tradicional dentro do quadro urbano japonês. Para os leitores da lingua inglesa, Hearn foi, durante muito tempo, seu olhar gentil e meditativo, a vibração refinada de sua melhor prosa, sua sensibilidade pelo particular, pelo detalhe, aparentemente insignificante, mas denso de ressonâncias e mistério, justificam, caso raro à distância de um século, o sucesso que os contemporâneos lhe consagraram.” (SICA, 2017, pág. 101)

 

Dessa forma, o olhar de um estrangeiro que vê o Japão nas suas zonas urbanas ou rurais, o misto das vestimentas tradicionais e ocidentais, os detalhes da arquitetura com a presença das tecnologias modernas, transformam a paisagem num exotismo único. Esta combinação do moderno com o tradicional se torna uma experiência única e em vez de transmitir uma imagem de conflito ou contradição, o que se vê é uma fusão destes dois elementos, gerando ao espectador uma paisagem totalmente nova:

 

“O viajante que entra repentinamente em um período de mudança social — especialmente a mudança de um passado feudal para um presente democrático — provavelmente lamentará a decadência das coisas belas e a feiura das coisas novas. O que posso ainda descobrir no Japão, não sei; mas hoje, nessas ruas exóticas, o antigo e o novo se misturam tão bem que um parece realçar o outro. A fileira de pequenos postes telegráficos brancos transportando as notícias do mundo para jornais impressos em uma mistura de caracteres chineses e japoneses; uma campainha elétrica em alguma casa de chá com um enigma oriental colado ao lado do botão de marfim, uma loja de máquinas de costura americanas ao lado da loja de um fabricante de imagens budistas; o estabelecimento de um fotógrafo ao lado do estabelecimento de um fabricante de sandálias de palha: tudo isso é não apresenta incongruências marcantes, pois cada amostra da inovação ocidental é inserida em uma moldura oriental que parece adaptável a qualquer imagem.” (HEARN, 2012, pág.14)

 

Baudelaire traz uma observação sobre a modernidade como um fenômeno marcado por tensões e conflitos que são manifestados em diferentes facetas dentro da sociedade moderna. este movimento ocorre de forma independente da cultura ou do espaço e traz à tona a interação entre o novo e a tradição:

 

“Considerando que a modernidade se trata de um fenômeno movido por contradições. Isto é, partindo que a sua definição inclui a dinâmica de incorporações, substituição de valores, sendo esta na estética, costumes, políticas.” (BAUDELAIRE, 2010, pág. 35-36)

 

Mas as permanências são vistas quando nos recursos linguísticos, principalmente na literatura, pode-se notar comportamentos, práticas, significados registrados em formato de palavras ou em narrativas quando a contradição é posta, porém, os elementos que indicam tradição, passado nunca é colocada de lado ou esquecida. A questão de valor tradicional se reveste em forma de identidade, como se pode observar na perspectiva de Soseki, em Kokoro.

 

Na perspectiva de Hearn, encontramos a exibição da mesclagem entre o moderno e o tradicional por meio das manifestações cotidianas. A descrição de letreiros com caracteres japoneses e a iluminação de elétrica revela uma mistura do ‘antigo’ com o ‘novo’, onde não há noção de separação, mas ressalta a permanência do que é visto como ‘passado’. Desse modo, os elementos que traçam aspectos vistos como tradicionais são evocados através dos mecanismos/tecnologias da modernidade.

 

Podemos afirmar, portanto, que, quando pensamos sobre os modernismos como espaços de inovação, a contradição que a modernidade carrega seria ser um veículo de transmissão do tradicional. Assim, quando enxergamos nas obras de Soseki, temos a introdução do modelo de prosa inglês dentro da literatura japonesa, mas por um outro lado, percebe-se que a forma contém, ou seja, carrega elementos que evocam o tradicional. Por exemplo, em Kokoro, o elemento da tradição se dá na passagem de experiência entre o Sensei e o (Eu) narrador, ou seja, é possível traçar uma transferência de um legado, ou de uma geração compartilhando o saber e a forma de ver o mundo para a geração seguinte.

 

 

Quais as possíveis perspectivas futuras?

 

Os desafios a serem encarados, quando se trata no elo entre a tradição e o moderno, é o fator do presente estar muito mais fluido, ou líquida, tomando a expressão de Zygmunt Bauman. Isto é, as linguagens e as experiências de interação humana se tornaram relativas e isoladas, onde são criadas barreiras de linguagem. 

 

Neste sentido, um ponto para refletir é as linguagens que ressaltam os elementos tradicionais, de elas se tornarem símbolos, costumes, expressões estranhas ou fragmentos isolados aos leitores. Por exemplo, quando deparamos com a narrativa de Soseki, em Botchan, o que observamos é o protagonista sendo satírico com a cidade provinciana, na ilha de Shikoku, onde ele se encontra, com o contraste do Tokyo industrializado. O deboche de Botchan com os moradores locais ao se sentirem orgulhosos, por viverem numa cidade que possui um castelo, e que habitava um senhor renomado, no qual o protagonista enxerga esse louvor como ultrapassado.

 

Porém, esse mesmo dilema também ecoa reações de maravilhamento, no caso do, (Eu), narrador ao ouvir as experiências de vida de Sensei em Kokoro. No caso desta narrativa, o que percebemos é a aproximação de um jovem que desperta interesse em se aproximar de um idoso e aos poucos desenvolver um relacionamento de perfil tutor-aluno. Este procedimento pode ser interpretado como um personagem que vive numa geração do presente moderno que se inclina a conhecer uma pessoa que representa a geração passada. Além disso, o jovem passa a chamar o mesmo senhor de Sensei, como uma referência de valor e de admiração.

 

Nesse sentido, o Sensei se enxerga como uma pessoa cansada e assombrado pelo seu passado, além de se ver como uma geração finada, porém, aos olhos do (Eu) narrador, não o vê da mesma maneira, mas como alguém que vivenciou uma rica experiência quando se trata sobre relação familiar e o modo de encarar a passagem de uma era para outra.

 

Partindo destas narrativas de Soseki, encontramos os cenários em que a modernidade é vista como espaço de conflito e incompreensão, mas também de fascínio pelo passado e o tradicional em formato de prosa.

 

Assim, o dilema que permanece é a questão entre o compreendido e o incompreendido, pois, apesar de Soseki demonstrar a ideia de que os valores tradicionais podem ser vistos como legados para serem lembrados ou até vistos como referência, há situações cotidianas em que a história e a memória local seja vista como um olhar provinciano, logo antiquado e sem espaço perante a modernidade vigente.

 

Com, estas questões levados em conta, o que nos tem como desafio é a provocação de Turguêniev em Pais e Filhos, publicada em 1862:

 

“Você diz que seus pais não te entendem, mas na verdade não entendem mesmo.” (TURGUÊNIEV, 2023, pág. 343)

 

A colocação de Turguêniev nos mostra o distanciamento entre as gerações, onde os pais são vistos como pessoas, onde suas experiências, valores e passado, para as gerações futuras, seriam considerados ultrapassados ou sem serventia, considerando o passado como algo fútil a ser esquecido. Dessa forma, um fator que é possível enxergar como maneira de lidar com essa barreira que se manifesta, talvez seria, dentro das literaturas e narrativas, expressar e descrever elementos e valores do tradicional como se fossem os elementos como conceitos ‘novos’, ou algo que seja novamente ‘descoberto’ ou ‘reexperimentado’ pela geração que desconhece o passado dos ancestrais.

 

 

Referências

Levi Yoriyaz, mestre em História Cultural pela Unicamp e atualmente é doutorando em História na Unicamp

BAUDELAIRE, Charles. O Pintor da Vida Moderna. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

KIKUCHI, Yuko; WATANABE TOSHIO. The British Discovery in Japanese Art. In: GORDON Daniels; TSUZUKI Chushichi. The History of Anglo-Japanese Relations 1600-2000: social and cultural. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.

INOUYE, Yuichi, From Unequal Treaty to Anglo-Japanese Alliance, 1867-1902. In: KIBATA, Yoichi; NISH, Ian. The History of Anglo Japanese Relations Volume 1: the political diplomatic dimensions 1600-1900. New York: Macmillan Press, 2000.

SICA, Giorgio. O vazio e a beleza - De Van Gogh a Rilke: Como o Ocidente encontrou o Japão. Campinas: Unicamp, 2017.

TANAKA, Stefan. Japan’s Orient: rendering pasts into History. California: University of California Press, 1993.

Fontes

HEARN, Lafcadio. Glympses of an Unfamiliar Japan. Duke Classics, 2012.

OKAKURA, Kakuzo. The Book of Tea. New York: Penguin, 2016.

OKAKURA, Kakuzo. Ideals of the East: with the special reference to the art of Japan. New York: E. P Dutton, 1920.

SOSEKI, Natsume. Botchan. São Paulo: Estação Liberdade, 2016.

SOSEKI, Natsume. Kokoro. Chicago: Henry Regnery Company, 1957.

TURGUÊNIEV. Ivan. Pais e Filhos. Rio de Janeiro: Antofágica, 2023.

3 comentários:

  1. Caro Levi Yoriyaz, parabéns pelo texto que contribui para romper com a tendência de analisar a filosofia chinesa apenas como uma antecipação ou uma versão paralela das tradições ocidentais.

    A minha pergunta direcionada ao texto é considerando que a própria ideia de "dialética" possui uma forte tradição conceitual no pensamento ocidental, especialmente em Hegel e Marx, marcada por contradição, superação e síntese, até que ponto a utilização desse mesmo termo para interpretar a visão histórica presente nas tradições chinesas favorece uma aproximação entre diferentes matrizes filosóficas e, ao mesmo tempo, pode produzir um certo anacronismo conceitual? Em outras palavras, existe o risco de que, ao traduzirmos categorias chinesas por meio de conceitos elaborados no Ocidente, acabemos projetando sobre elas pressupostos que lhes são estranhos, reduzindo a originalidade de sua lógica histórica? Como você avalia o equilíbrio entre estabelecer um diálogo comparativo com a filosofia ocidental e preservar a autonomia epistemológica do pensamento chinês em seus próprios referenciais?

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    1. Alexander Willian Azevedo8 de julho de 2026 às 20:14

      Esqueci de identificar na pergunta acima que elaborei, meu nome Alexander Willian Azevedo

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    2. Bom dia Alexander, agradeço por suas observações e questões. Realmente quando fui pensar em escrever este texto, já me veio em mente a questão do anacronismo quando fui discutir sobre a ideia de “dialética”. A condição que me permitiu trazer uma certa liberdade de usar este conceito, foi pelo movimento da modernização vindo primeiramente nas cidades portuárias e em seguida as ideias, filosofias e projetos de Estado europeus sendo circulados no ambiente intelectual, tanto chinês quanto japonês no final da primeira metade do século XIX. Desse modo, me apoiei nos textos de Okakura Kakuzo (Tenshin) e da discussão de Stefan Tanaka que menciona intelectuais e políticos japoneses que articulam discursos de responder ao Ocidente com o objetivo de definir a identidade da Ásia. Mas para isso, tanto Okakura quanto pensadores como Shiratori Kurakichi experimentaram ou fizeram parte de uma sociedade japonesa que sofre por mudanças oriundos da modernidade. O que se tem, portanto, é uma resposta à ao projeto modernizador externo, sendo um sujeito moderno. Dessa forma, pude argumentar o tema de “dialética”. Principalmente se recorrermos a reformadores políticos japoneses como Mori Arinori e Okubo Toshimichi que buscaram escrever um projeto de Estado com base norte-americana. No âmbito da literatura, Natsume Soseki introduziu a literatura em prosa em estrutura inglesa, assim como nas suas narrativas, descreveu o contraste do Japão modernizante com a tradição japonesa, desenhando o fenômeno de tensão e contradição cultural. Mas agradeço pela sua questão e a sua problemática quando se envolve conceitos filosóficos ocidentais aplicados nas sociedades não europeias. Talvez entender o quesito, no caso japonês, como estas percepções foram adaptadas á realidade japonesa, isto é caso os pensadores japoneses realizarem uma ‘antropofagia filosófica’.

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