A DECADÊNCIA DO FUTURO: CYBERPUNK, DESASTRES E JUVENTUDE EM AKIRA por Larissa Gabrieli Fonseca


As dimensões de tempo — passado, presente e futuro — que conhecemos, o tempo retilíneo e progressivo, diferentemente do que é comumente pensado, não é a única concepção existente. Diversas sociedades não ocidentais tiveram — e têm — ao longo de suas histórias outras maneiras de se relacionar com o tempo. No âmbito das humanidades, há diversas produções célebres que têm como questionamento central o tempo e como ele pode ser compreendido.

 

De acordo com Shuichi Kato [2012, p. 32], a nossa consciência histórica de tempo, a qual entendemos como natural, é a concepção ocidental. Essa noção tem fortes raízes na concepção judaica, pois, grosso modo, para o autor, os acontecimentos na concepção de tempo judaico têm seu significado definido pela sua relação com acontecimentos do passado e do futuro, não somente pelas condições do presente, ou seja, em seu cerne há a ideia de uma relação imbricada das três dimensões e uma sugestão de progressão linear.

 

Entretanto, para a pesquisadora Mudrovcic [2015], a nossa relação com tempo, apesar de ter raízes religiosas, também é muito definida pela modernidade, pois,

 

“a modernidade não só trouxe consigo a fé no progresso, mas também, e o que considero uma novidade, a ideia de que a ação humana pode transformar o mundo, mas não mais em nome de transcendentais como Deus ou o progresso. Ou seja, pela primeira vez, surgiu a crença de que a forma das instituições e relações no mundo social é resultado da ação humana, o que implica a suposição de que essas relações podem ser alteradas em nosso benefício por meio de ações intencionais.” [Mudrovcic, 2015, p. 106, tradução nossa].

 

Assim, a agência humana [agency] passa a ser vista como um ponto central para que o progresso — no sentido de melhoramento — aconteça no futuro. Isto é, o futuro dentro das sociedades modernas teria um peso maior em comparação com as outras dimensões — passado e presente —-, pois, por ser melhor que o ‘agora’, se torna ainda mais aguardado.  

         

Todavia, ao refletir sobre a concepção de tempo japonesa, Kato estabelece que no arquipélago existem três formas distintas de compreensão da temporalidade, sendo elas: o tempo histórico, o tempo cotidiano e o tempo da vida. Apesar das três concepções terem dimensões diferentes entre si, todas elas carregam em seu âmago a ideia de que a dimensão prevalente é o presente, ou seja, o passado e o futuro teriam um peso menor na relação japonesa com tempo em comparação com o agora [2012, p. 48-61]. Entretanto, ao pensar a história contemporânea nipônica  — isto é, desde a Restauração Meiji em diante —, propomos, neste breve texto, a reflexão de como as diversas mudanças que ocorreram durante a transição da Era Tokugawa [1603-1868] à Era Meiji [1868-1912], seguido da Primeira e Segunda Guerra Mundial, bem como da derrota japonesa na última, fizeram com que o Japão, em contraposição à ideia de uma identidade japonesa imutável elaborada por Kato, sofresse com um trauma cultural que culminou em uma “crise de futuro” [Hashimoto, 2015; Mudrovcic, 2015].

 

Como já citado, as mudanças que ocorreram a partir da Restauração Meiji são fundamentais para compreensão da sociedade japonesa no século XX, pois foi durante esse período que houve a centralização do poder na figura do Imperador e o surgimento de uma identidade nacional, esta que utilizava particularidades culturais e religiosas, tal como a língua e o xintoísmo estatal, como características fundantes da nação. Grosso modo, houve o estabelecimento do Japão como um Estado-nação. Foi também nesse período que surgiu a urgência do processo de “modernização” do Japão como algo essencial para que o arquipélago conseguisse fazer frente à expansão imperialista das potências ocidentais no Pacífico [Lacerda et al., 2011].

 

Entretanto, a pesquisadora Mudrovcic [2015] discorre que após a Segunda Guerra Mundial, com o surgimento da Organização das Nações Unidas (ONU), e em específico no final da segunda metade do século XX, com a globalização, os Estados-nação perderam seus papéis como fiadores/promotores do futuro. Isto é,

 

“os projetos políticos, nascidos com a proteção dos Estados-nação e compreendidos como a conjunção da ação — como a capacidade de começar algo novo — e a política — como a antecipação de mundos possíveis e novas formas de organizar o Estado — tem perdido, quase completamente, o sentido. Os projetos políticos de outrora, tendo sido realizados, as antigas expectativas foram esvaziadas de conteúdo. Mesmo quando vivenciamos uma aceleração do tempo, essa aceleração não é vivenciada como ‘um novo tempo’, mas como ‘urgências’ que o presente engole” [Mudrovcic, 2015, p.  102, tradução nossa].

 

Isto posto, ao pensarmos o Japão na segunda metade do século XX pode-se perceber que para além da crise do Estado-nação — ou a descrença no progresso e no futuro  —, há outro ponto central para este debate: o trauma cultural japonês no pós-guerra.

 

A socióloga Akiko Hashimoto [2015] traz a ideia de que a experiência da derrota em 1945 pode ser considerada o trauma cultural mais significativo na história contemporânea japonesa. Para ela, o entendimento moral sobre a guerra varia dependendo do contexto histórico e da tradição político-cultural de cada lugar. Ou seja, após a derrota do Japão em 1945, com a mudança abrupta de moral, estimulada forçosamente pela ocupação estadunidense no território, pessoas que antes apoiavam as ações imperialistas do Império Japonês — ou se isentavam sobre o assunto — passaram a ter um posicionamento mais crítico acerca dos crimes de guerra cometidos no Pacífico  pelo Japão.

 

Para Hashimoto, essa mudança abrupta fez com que surgisse um “mal-estar” na memória e identidade japonesa, que acabou resultando em formas distintas de narrar e se relacionar com a memória do trauma experienciado. Nesse sentido, é importante entender que as

 

“memórias não são fixas ou imutáveis, mas sim representações da realidade que é construída subjetivamente para se encaixar no presente. O problema do controle sobre a memória está enraizado no conflito e nas interações entre valores sociais, políticos e interesses culturais nas condições específicas atuais. [...] No processo, a memória do evento [guerra] torna-se culturalmente relevante, lembrada como experiência coletiva extremamente problemática e prejudicial, incorporada [...] como parte da identidade coletiva” [Hashimoto, 2015, p. 4, tradução nossa].

 

É nesse contexto, de trauma cultural nipônico em que o Estado-nação japonês não consegue promover expectativas positivas para o futuro, que está situada a animação de AKIRA. É importante salientar que a partir das últimas décadas do século XX, a construção identitária do Japão no imaginário mundial está entrelaçada com a produção cultural midiática do arquipélago.

 

Isto posto, segundo Liu Zenqin [2018], desde os anos 1980 é possível mapear uma miríade de obras audiovisuais que abordam, de forma direta e/ou indireta, temas que perpassam o que entendemos como distopia. Nessa linha de raciocínio, Liu estabelece que é possível ter diferentes formas de trabalhar com a distopia apresentada nos animes japoneses, mas que no geral as narrativas distópicas podem ser compreendidas em três categorias diferentes — que também podem ser tratadas simultaneamente. 

 

“O primeiro tema é o cyberpunk, que se concentra nos pensamentos e dúvidas dos seres humanos sobre sua identidade no contexto da tecnologia avançada. Obras representativas são Ghost in the Shell e AKIRA. O segundo é a estética da violência, que expressa a crítica e a reflexão do autor por meio do sangue e da crueldade das imagens. Animes famosos sob o tema são Attack on Titan e Tokyo Ghoul. O terceiro tema é a paisagem apocalíptica, com sátira política, expressando a confusão dos seres humanos na era pós-humana por meio do cenário pessimista do fim do mundo, como Neon Genesis Evangelion e From the New World” [Liu, 2018, p. 1].

 

Como supracitado, o universo cyberpunk pode ser compreendido dentro da concepção de distopia estabelecida aqui, que, grosso modo, imagina um futuro em que a sociedade é organizada de uma forma assustadoramente miserável. Para Liu [2018, p. 2, tradução nossa], nessa “sociedade, a ideia de liberdade política, igualdade e fraternidade é apenas uma falsa existência superficial, enquanto sua conotação real foi substituída pela tirania e ditadura dos governantes de muito tempo atrás”. Ou seja, como uma antítese da utopia, em universos distópicos o totalitarismo permeia todos os âmbitos da sociedade, controlando todos os aspectos materiais e espirituais da existência humana “from the body to the mind, from the brain to the soul”, ou em tradução livre, “do corpo para mente, do cérebro para a alma”.

 

Como estabelecido por Liu, o longa-metragem AKIRA é considerado uma das obras mais marcantes do subgênero cyberpunk e dentro da sua narrativa vemos como várias das características supracitadas como marcadores de obras distópicas podem ser encontradas na animação. Ao longo dos 124 minutos de duração, a história nos apresenta a cidade e seus habitantes, com várias nuances e detalhes sendo exibidos. Entretanto, seguindo o eixo de temas a serem analisados, focaremos na análise das cenas escolhidas. 

 

O trauma da destruição




  Figura I - Explosão misteriosa em 16 de julho de 1988, em Tóquio.

Fonte: Frames retirados da Netflix.

 A sequência de imagens da Figura I representa a destruição da cidade de Tóquio, em 16 de julho de 1988, por uma imensa explosão, que viria a ser o pontapé inicial para o desenrolar da Terceira Guerra Mundial. Esta cena, partindo dos debates já levantados anteriormente, pode ser compreendida como uma remanescência do trauma nipônico após o holocausto atômico que ocorreu em Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com Batalhone Jr [2011], essa explosão inicial do anime faz referência à primeira explosão atômica da história, que também ocorreu no dia 16 de julho de 1945.  Para o autor,

 

“[...] o símbolo 16 de julho enfeixa as significações dos teste com a primeira bomba atômica criada em Los Alamos em 16 de julho de 1945 e consequente terror causado pelos ataques em 6 e 9 de agosto do mesmo ano respectivamente em Hiroshima e em Nagasaki; e enfeixa também a significação da primeira explosão de AKIRA, que embora ficcional, está relacionada ao ano de produção e estréia do animê, sendo inclusive o epicentro da explosão na cena de abertura da animação, situado no endereço do estúdio do autor em uma representação visual do mapa de Tokyo em 1988. Isso por sua vez nos permite pensar que enquanto cidadão japonês nascido após o término da Segunda Guerra Mundial, Katsuhiro Otomo tenha o terror atômico como parte de sua carga de experiências traumáticas; e que tendo vivido durante os anos de Guerra Fria e experimentado novas situações limites em relação ao terror do uso potencial de armas nucleares; o enredo de AKIRA traga através de suas representações iconográficas e elementos simbólicos, a perspectiva do horizonte de expectativas de seu autor, ou seja: que uma nova guerra mundial e novas utilizações de armas nucleares seriam possíveis senão eminentes.” [Batalhone Jr, 2011, p. 51].

 

Atualmente, a análise simbólica apresentada por Batalhone é corroborada pela ideia de Hashimoto [2015], de que a identidade nacional e cultural da sociedade japonesa foi impactada pela Segunda Guerra Mundial e consequentemente com os terrores que provieram dela. Isso não é perceptível somente em AKIRA, uma vez que várias obras populares japonesas tem em seu cerne a preocupação com a destruição atômica.  

 

A juventude e a cidade

Logo após a explosão, somos levados a 31 anos no futuro, para o ano de 2019, numa realidade em que conhecemos a “velha-nova cidade”, Neo-Tóquio, que foi construída na baía de Tóquio após a explosão inicial e se caracteriza por ser um espaço tecnológico e decadente.

 

Na Figura II vemos a gangue da Cápsula. Formada por jovens motoqueiros, é um grupo que vive intensamente o momento atual, sem se preocupar muito com o futuro, ou até mesmo, sem expectativas dele. Assim, eles representam o espírito individualista da juventude e da contemporaneidade, ao mesmo tempo que simbolizam a nova geração de Neo-Tóquio, influenciada pela cultura urbana e pela violência que os envolve [Freitas, 2023]. 

 

 

Figura II - A gangue da Cápsula e a juventude perdida.

Fonte: Frames retirados da Netflix.

 

O grupo representa bem uma juventude que cresceu em uma sociedade cyberpunk, pois para Mavridou [2015, p. 5]

 

“[...] o cyberpunk vem pré-equipado com uma visão cínica do futuro e um chamado à resistência, bem como um pessimismo tradicionalmente não encontrado no gênero de ficção científica em geral. Com base em um amplo levantamento de textos, ele poderia ser generalizado em torno do conceito temático de "vida inferior, alta tecnologia" e da luta da sociedade com as ansiedades que emergiram do fim do modernismo: privacidade, segurança, integridade e o status do sujeito humano em um mundo pós-humano. Ambição, civilização e progresso – todos conceitos tradicionalmente celebrados – são filtrados pelo medo da arrogância, a ideia de que certas coisas devem permanecer fora de alcance e que o ato pecaminoso de persegui-las resultará apenas em destruição cármica e/ou punição.”


Figura III - A cidade de Neo-Tóquio como um espaço vivo e cheio de tensões

Fonte: Frames retirados da Netflix

 

Já a Figura III, em seus aspectos mais gerais, também pode ser compreendida a partir das questões supracitadas por Mavridou. Isso é possível pois suas representações urbanas do futuro com suas diversas (re)conceituações de arquitetura urbana, abordam apenas uma pequena parte do âmbito dos animes, mas constroem em conjunto com outros aspectos da animação um universo cheio de especificidades que para “além da história e dos diálogos, a arte de fundo nos animes revela "visão de mundo" que os artistas buscam expressar” [Riekeles, 2020, p. 19, tradução nossa]. Portanto, Neo-Tóquio, ao ser uma cidade decadente, demonstra em seus pormenores a decadência dessa sociedade como um todo.

 

Em suma, as particularidades do Japão são facilmente reconhecíveis em suas produções de cyberpunk; pois suas nuances abarcam as preocupações nucleares persistentes do período do pós-guerra. Como supracitado, Liu define que obras distópicas podem ser categorizadas em três eixos diferentes, portanto, corroborando com ele, e, em conjunto com definição de cyberpunk de Mavridou, entendemos aqui que a animação AKIRA aborda, no seu cerne, para além do cyberpunk, um mundo pós-apocalíptico que reflete as angústias que permeava a sociedade japonesa no final do XX, que mesmo sendo considerada a “terra do futuro”, estava definitivamente acorrentada a seu passado .

 

Referências

Larissa Gabrieli Fonseca é graduanda em licenciatura em História pela Universidade Federal do Paraná [UFPR], instituição na qual é bolsista do Programa de Educação Tutorial em História. Atualmente integra o Núcleo de Estudos Japoneses [Nejap]; o Núcleo de Estudos Mediterrânicos [Nemed] e o Grupo de Estudos Africanos e Asiáticos [Geafras], sendo ambos os últimos ligados ao Programa de Pós-Graduação em História da UFPR. E-mail: lgf.historia@gmail.com Lattes: http://lattes.cnpq.br/8463350775306649

 

AKIRA. Direção: Katsuhiro Otomo. Produção: Ryōhei Suzuki e Shunzō Katō. Local: Toho, 1988. 

 

BATALHONE JR, V. AKIRA: porque o pesadelo já começou. Revista Aedos, v. 3, n. 8, 2011.  Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/15860  Acesso em: 12 jun. 2026.

 

 

FREITAS, L. Para uma construção de corpos e espaços em AKIRA (1988), de Katsuhiro Ōtomo. Pelotas,  2023.

 

HASHIMOTO, Akiko. The long defeat: cultural trauma, memory, and identity in Japan. Oxford, 2015.

 

KATO, S. Tempo e espaço na cultura japonesa.  Tradução: Neide Nagae e Fernando Chamas. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.

 

LACERDA, N. F. C.; CRE, K.G.C.; SARRAF, L. R. B. . O Japão na Era Meiji: quando o distante se torna próximo, 2011. Disponível em: https://pdfcoffee.com/o-japao-na-era-meij-quando-o-distante-se-torna-proximo-pdf-free.html. Acesso em: 15 maio 2026.

 

LIU, Z. Extreme Conceptions in Dystopian Japanese Animation. Academic Journal of Humanities & Social Sciences, 2018, p.104-107.

 

MAVRIDOU, O. The monstrous transformation of the self: translating Japanese cyberpunk and the posthuman into the living world. The Luminary.  2015, p.72-86.

 

RIEKELES, S. Anime Architecture imagined worlds and endless megacities,Thames & Hudson: London, 2020.

5 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, Larissa — é uma leitura ambiciosa e bem costurada, que articula temporalidade, trauma e produção cultural com uma clareza rara para um recorte tão amplo. Achei especialmente feliz o achado do 16 de julho: datar a explosão de Akira no mesmo dia do teste Trinity é o tipo de detalhe que ancora toda a leitura simbólica sem forçá-la. Fiquei matutando numa tensão produtiva do texto: o Kato descreve um tempo japonês que privilegia o presente, e a Mudrovcic descreve uma modernidade tardia em que o futuro se esvazia e o presente absorve tudo. Você leria o trauma do pós-1945 como uma ruptura com esse presente-dominante do Kato, ou como uma convergência inesperada com ele — o mesmo presente hipertrofiado chegando por dois caminhos distintos?

    Robson Lins Souza Damásio de Oliveira

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    1. Prezado, Robson! Fico muito grata pelo seu comentário!
      Como esse texto faz parte da pesquisa de monografia que ainda estou desenvolvendo, vou tentar responder com minhas leituras atuais. Quando coloquei Mudrovcic e Kato lado a lado para pensar as dimensões de tempo no Japão, relacionando com as diversas formas que o trauma aparece nas produções culturais nipônicas contemporâneas, tentei demonstrar que essa visão (de Kato) de que o presente teria mais peso em relação as outras dimensões, na realidade é uma visão um tanto simplista. Isto é, na minha visão, mesmo havendo essa convergência inesperada do presente ser a dimensão "mais importante", não é o mesmo presente que Kato aborda, mas sim um presente que tenta rememorar "a grandeza" do passado.
      Espero ter respondido mesmo que parcialmente sua questão.
      Atenciosamente,
      Larissa Gabrieli Fonseca

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  2. Cheron Gonçalves de Pinho9 de julho de 2026 às 16:59

    Primeiramente, parabéns pelo texto, Larissa! Muito interessante e atual. Você menciona que "a animação AKIRA aborda, no seu cerne, para além do cyberpunk, um mundo pós-apocalíptico que reflete as angústias que permeava a sociedade japonesa no final do XX, que mesmo sendo considerada a “terra do futuro”, estava definitivamente acorrentada a seu passado ." Aqui vemos mencionado o final do século XX, mas você acredita que essa prisão à memória do passado ainda persiste na sociedade japonesa do século XXI?

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    1. Prezado, Cheron, muito obrigada pelo comentário!
      Respondendo sua questão: acredito que sim, tendo em vista que há, dentro da sociedade acadêmica do arquipélago, um numero considerável de 'pesquisadores' que tomam para si o papel de denegar e revisionar a historiografia acerca da atuação do Japão durante a Segunda Guerra Mundial (um dos exemplos que gosto de dar é site o society for dissemination of historical fact), o que é corroborado pela ascensão da extrema direita e um saudosismo do passado imperial.
      Atenciosamente,
      Larissa

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  3. Parabéns pelo texto, Larissa! Você tratou de um tema muito delicado e interessante de maneira bem fundamentada no seu aporte teórico!

    Ao introduzir as três categorias de narrativas distópicas, você menciona obras como Ghost In The Shell, Attack on Titan e Tokyo Ghoul. Mais para a frente, você também comenta que diversas obras japonesas tomam como ponto de partida os anseios perante a destruição atômica. Alguma dessas outras obras mencionadas pelo nome por você trata especificamente dessa questão de destruição atômica?

    Atenciosamente,
    Maria Eduarda Siqueira Leite

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